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Exportações atingem maior volume em 13 anos; mercado interno registra alta de cotações
Fevereiro de 2026 registrou o maior volume de exportações brasileiras de ovos em 13 anos, totalizando 2,94 mil toneladas, segundo dados compilados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) do campus da Esalq-USP em Piracicaba (SP). O resultado representa aumento de 16% em relação ao mesmo mês de 2025.
O Cepea informou que o movimento de alta nas vendas ao exterior já havia sido observado em janeiro, que também foi recorde para o mês em 13 anos. Apesar do crescimento anual, o volume embarcado em fevereiro teve leve recuo frente a janeiro.
No mercado doméstico, as cotações dos ovos mantiveram tendência de alta em 2026, com avanços de até 15% no início de março nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos da Esalq-USP. O Cepea atribui a valorização à combinação de demanda aquecida — favorecida pelo período de pagamento de salários — e oferta interna mais enxuta.
Agentes do setor relataram aumento nos pedidos para abastecimento de redes atacadistas e varejistas e uma disponibilidade interna ajustada à demanda, sem excesso nas granjas. Houve também registro de menor oferta de ovos vermelhos em diversas regiões, o que teria levado a valorização mais intensa desses em relação aos ovos brancos nos últimos dias.
Pesquisadores do Cepea apontaram que os efeitos dos conflitos no Oriente Médio tendem a ser limitados para o mercado de ovos, já que a maior parte da produção é destinada ao consumo interno e a parcela exportada é relativamente pequena.
Em Bastos (SP), o preço médio do ovo branco tipo extra foi de R$ 173,72 a caixa com 30 dúzias no dia 13 de março, com variação positiva de quase 3% ao dia. Para os ovos vermelhos, a média mensal na região paulista foi R$ 201,21 a caixa na sexta-feira (13), alta de 2,99% ao dia.
As altas registradas em fevereiro fizeram o poder de compra dos avicultores paulistas frente aos insumos milho e farelo de soja voltar a subir, depois de quedas no fim de 2025. Na parcial de fevereiro em Bastos, o preço FOB do ovo branco tipo extra apresentou média de R$ 147,98 por caixa de 30 dúzias, avanço de 36,7% em relação a janeiro. Para ovos vermelhos, a média fechou em R$ 166,57 por caixa, alta de 37% ante o período anterior.
Com base no Indicador ESALQ/BM&FBovespa do milho, o Cepea informou que o avicultor paulista pôde comprar 131,22 quilos de milho com a venda de uma caixa de ovos brancos, ou 147,77 quilos com a venda de uma caixa de ovos vermelhos — aumentos de 36,7% e 37,1%, respectivamente, em comparação a janeiro. No caso do farelo de soja comercializado no mercado de lotes de Campinas (SP), a venda de uma caixa do produto branco permitiu adquirir 80,27 quilos do derivado, ou 90,40 quilos com a caixa do produto vermelho, variações mensais de 41,3% e 41,7%.
No segundo semestre de 2025, o poder de compra do produtor paulista frente ao milho caiu por pelo menos três meses consecutivos e atingiu o menor patamar do ano. A relação de troca sobre o farelo de soja também registrou recuos desde o início do segundo semestre em valores reais, deflacionados pelo Índice Geral de Preços (GPD) de outubro.
O Cepea explicou ainda que, em novembro de 2025, a maior oferta no mercado interno pressionou as cotações dos ovos. Entre 14 de novembro e 5 de dezembro de 2025, o indicador do milho citado passou de 67,52% para 70,30, conforme o indicador Esalq/Bovespa, enquanto a procura doméstica pelo cereal voltou a se aquecer no fim de novembro. A paridade de exportação e os embarques em níveis elevados também sustentaram a postura de vendedores no período.
As informações sobre volumes, preços e indicadores são do Cepea/Esalq-USP e da Secex, conforme levantamento para fevereiro e os registros parciais de março de 2026.
Com informações de G1




