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terça-feira, outubro 20, 2026

Famílias do MST relatam intoxicação por pulverização de agrotóxicos em acampamento de Perobal (PR)

Denúncia de pulverização atinge acampamento em Perobal

Quem: famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) instaladas no acampamento Benedito Gomes.

O que: denúncia de intoxicação após pulverização de agrotóxico — possivelmente herbicida — que teria atingido as moradias das cerca de 430 famílias acampadas.

Quando: a aplicação foi relatada no dia 28 de março de 2026, por volta das 18h.

Onde: acampamento Benedito Gomes, localizado no município de Perobal, na região de Umuarama (PR), dentro da área conhecida como Fazenda Tiburi.

Como: segundo os relatos, a pulverização foi feita por um fazendeiro que entrou na área de forma irregular e utilizou equipamento acoplado a um trator; uma nuvem do produto se espalhou rapidamente pelo acampamento, com forte odor.

Moradores informaram sintomas em ao menos 20 pessoas, incluindo irritação na garganta, tosse e dor de cabeça. Há também preocupação com danos a uma lavoura coletiva de feijão cultivada pelas famílias.

A denúncia foi protocolada em diversos órgãos públicos: Ministério da Saúde, Ministério Público, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do estado, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e Instituto Água e Terra (IAT).

A área afetada, a Fazenda Tiburi, é um imóvel público de aproximadamente 215 hectares vinculado ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O local é palco de conflitos fundiários há cerca de 20 anos entre fazendeiros e famílias do MST.

Desde fevereiro de 2026, centenas de famílias ocupam a fazenda para pressionar o Incra a destinar o imóvel à reforma agrária. Em decisão judicial recente foi reconhecida a irregularidade da ocupação por fazendeiros, com determinação de desocupação da área.

O caso também é alvo de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal em 2022, que aponta irregularidades na tentativa de transferência da terra pública a particular; segundo o MPF, os requerentes não se enquadravam como agricultores familiares e possuíam outras propriedades em Toledo (PR) e arrendamentos no Mato Grosso do Sul.

O Incra notificou ocupantes irregulares no início de fevereiro para desocupar a área em até 30 dias, autorizando apenas a colheita da safra de soja já existente. A denúncia aponta que novos plantios teriam sido realizados e que a pulverização teria sido usada como instrumento de pressão contra as famílias.

As famílias do acampamento Benedito Gomes estão na região há cerca de um ano, após ocuparem anteriormente uma área em Umuarama. No Paraná, cerca de 5 mil famílias sem-terra vivem hoje em acampamentos, algumas há mais de 30 anos.

Organizações como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida registram casos em que agrotóxicos são usados como forma de coerção contra comunidades rurais. No final de março, a campanha e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima lançaram um canal específico para denúncias desse tipo de violação; o episódio em Perobal foi incluído no registro.

As famílias pedem apuração imediata do episódio, vistoria no local para evitar novas contaminações e responsabilização dos envolvidos. Os documentos apresentados incluem relatos técnicos e registros audiovisuais da pulverização.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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