Fed eleva juros em resposta à inflação e tensões geopolíticas
O Federal Reserve (Fed) aumentou, nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026), a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, elevando a faixa para 3,75% a 4% ao ano. Trata-se da primeira alta desde julho de 2023, interrompendo a série de cinco reuniões consecutivas com os juros mantidos.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) informou que a decisão leva em conta a evolução da atividade econômica, que segue se expandindo em ritmo sólido, e a resistência dos gastos domésticos diante de um cenário de incerteza elevada provocado por acontecimentos geopolíticos, entre eles o aumento dos preços do petróleo associado às tensões no Oriente Médio.
Segundo o comitê, a medida foi tomada em função do duplo mandato do Fed — controlar a inflação e apoiar a missão de pleno emprego. O colegiado ressaltou que a produtividade continua avançando, os investimentos empresariais permanecem vigorosos e que os ganhos de emprego acompanharam o crescimento da força de trabalho, com a taxa de desemprego apresentando pouca variação.
Dados do Departamento do Trabalho mostraram que, em agosto, os Estados Unidos criaram 162 mil vagas, ante 21 mil em julho, e a taxa de desemprego ficou em 4,1%. O índice de preços ao consumidor (CPI) registrou alta de 3,4% nos 12 meses até agosto, motivo pelo qual o Fomc considerou que o aumento de 0,25 ponto ajudará a aproximar a inflação da meta de 2%.
O anúncio também foi contextualizado pela situação institucional no Fed. A decisão desta quarta-feira foi a 14ª desde a posse de Donald Trump como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025, e, conforme o comunicado, figura entre as ações do banco central no atual ciclo de política monetária. A reunião foi a terceira sob a presidência de Kevin Warsh, que tomou posse em 22 de maio e cumpre mandato de quatro anos.
O comunicado lembra ainda os sinais de atrito anterior entre a administração e a liderança do Fed: desde o início do segundo mandato do presidente Trump, houve críticas às taxas consideradas elevadas e defesa de cortes para evitar efeitos adversos do custo do crédito sobre a atividade econômica.
Impactos externos e repercussão no Brasil
Juros mais altos nos EUA tendem a tornar os títulos do Tesouro americano (Treasuries) mais atraentes para investidores, o que pode fortalecer o dólar. Esse movimento costuma reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes e pressionar moedas locais, incluindo o real. Um dólar mais valorizado pode, por sua vez, elevar a inflação importada no Brasil e influenciar decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.
Apesar disso, e considerando o cenário doméstico, há expectativa de que o Copom anuncie um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14% para 13,75% ao ano, em reunião marcada para as 18h30 desta quarta-feira, com a inflação ainda dentro da margem de tolerância da meta do BC.
Ao concluir, o Fed reafirmou que acompanhará a evolução dos indicadores econômicos e avaliações de risco para determinar o curso futuro da política monetária.
Com informações de G1




