O Federal Reserve (Fed) manteve nesta quarta-feira (18) a taxa de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, nível mais baixo desde setembro de 2022. A decisão do banco central americano, anunciada na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), seguiu as expectativas do mercado financeiro e marcou a segunda reunião consecutiva sem alteração da taxa.
Segundo o comunicado do Fomc, a atividade econômica dos EUA tem se expandido “em um ritmo sólido”, enquanto a criação de empregos “permaneceu baixa” e a taxa de desemprego mudou pouco nos últimos meses. O colegiado destacou que a inflação continua “um pouco elevada” e apontou incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro e envolvendo, conforme o Fed cita, os EUA e Israel contra o Irã.
O texto reforça a preocupação do banco central com as implicações do conflito sobre a economia americana e afirma que “o Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato [direcionado a estimular o emprego e controlar a inflação]”. O Fomc acrescentou que “continuará monitorando as implicações das informações recebidas para a perspectiva econômica” e que está “preparado para ajustar a postura da política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam dificultar o alcance de seus objetivos”.
Impacto do conflito e preços do petróleo
A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, provocou forte alta no preço do petróleo, que chegou a atingir US$ 120 por barril — o maior patamar desde 2022 — e depois recuou, mantendo-se na casa dos US$ 100. O Fed considera que a escalada dos preços da commodity pode pressionar a inflação por meio do aumento de combustíveis e de custos de diversos produtos.
Dados da associação automobilística AAA citados pelo banco central mostram que o preço da gasolina subiu quase 25% desde o início do conflito, alcançando o maior nível desde outubro de 2023. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, foi apontado como fator central para a disparada dos preços, após anúncios de bloqueio e ataques a petroleiros.
Pressões políticas e efeitos internacionais
Nos últimos meses, o presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou publicamente por cortes de juros, chegou a pedir uma “reunião especial” do Fed para reduzir as taxas “imediatamente” e reagiu a negativas de aliados para monitorar o Estreito de Ormuz afirmando que “não precisa da ajuda ‘de ninguém’”. Na semana anterior, um juiz federal bloqueou intimações contra Jerome Powell em uma disputa judicial relacionada à atuação do presidente do Fed; o mandato de Powell termina em maio.
Trump indicou o economista Kevin Warsh para suceder Powell; a nomeação precisa ser aprovada pelo Senado e, se confirmada, Warsh poderia presidir a decisão de junho. Em setembro de 2025, o presidente já indicou Stephen Miran para substituir a diretora Adriana Kugler, que deixou o cargo em agosto. A Suprema Corte analisa ainda a tentativa de demissão da diretora Lisa Cook, decisão que pode sair nas próximas semanas. Caso seja confirmada, a demissão garantiria a Trump ao menos duas indicações para o conselho do Fed, além do presidente.
Internacionalmente, a manutenção das taxas americanas em patamar relativamente alto mantém as Treasuries atraentes, o que tende a fortalecer o dólar e reduzir fluxos de investimento estrangeiro para países como o Brasil. Esse movimento pode desvalorizar o real e aumentar pressões inflacionárias locais, influenciando a manutenção de juros elevados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.
Em 28 de janeiro, o Fed interrompeu um ciclo de três cortes seguidos, citando incertezas nas perspectivas econômicas. A decisão de 18 de março é a décima tomada desde que Donald Trump assumiu a presidência em 20 de janeiro de 2025, período em que ocorreram três cortes de juros.
Com informações de G1




