Polícia Federal utiliza programas para extrair mensagens e arquivos de celulares apreendidos
A Polícia Federal emprega softwares e técnicas capazes de acessar dados em celulares apreendidos mesmo quando os dispositivos estão bloqueados, desligados ou com partes danificadas. Entre as soluções citadas por peritos estão os programas comerciais Greykey e Cellebrite, além do IPED, sistema desenvolvido por peritos da própria PF.
Segundo o perito em segurança digital Wanderson Castilho, em entrevista ao g1 publicada em janeiro de 2026, o processo de preservação do aparelho é fundamental. A prática comum é colocar o dispositivo em um invólucro que impede a entrada e saída de ondas eletromagnéticas — o princípio conhecido como Gaiola de Faraday —, como bolsas ou caixas com revestimento metálico, para evitar que o proprietário apague informações remotamente.
O método para extrair dados varia conforme o estado do aparelho. Quando a tela está bloqueada, ferramentas como Greykey e Cellebrite tentam descobrir a senha de bloqueio e transferir informações por conexão USB. Quando o celular está desligado, muito danificado ou inacessível pela via normal, peritos recorrem à técnica “chip off”: desmontam o equipamento, removem componentes — principalmente a memória — e transferem os dados para outro dispositivo para leitura.
Castilho informou que licenças de programas como Greykey e Cellebrite podem custar cerca de US$ 50 mil por ano (aproximadamente R$ 270 mil). A Cellebrite UFED é citada como o aparelho que se conecta ao celular para extrair arquivos e mensagens.
Há também pressa na realização das perícias. Alguns registros úteis ficam em áreas de memória temporária do aparelho — por exemplo, versões salvas da senha de bloqueio —, o que torna a extração mais fácil se for feita antes de um desligamento ou reinício. Em 2024, a fabricante do Greykey informou que uma atualização do iPhone passou a provocar desligamento e religamento automático caso o aparelho fique bloqueado por mais de três dias, dificultando tentativas posteriores de quebra de senha.
O IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), criado pela Polícia Federal em 2012, permite varreduras rápidas em celulares e extrai texto de imagens, usando princípio semelhante ao reconhecimento de placas em radares de trânsito. De acordo com o presidente da Associação dos Peritos em Computação Forense, Marcos Monteiro, a ferramenta identifica textos em imagens, organiza essas informações e permite buscas por padrões como CPF e valores monetários. O programa também consegue analisar mensagens apagadas, com exceção das enviadas com visualização única. O código-fonte do IPED está disponível publicamente desde 2019, possibilitando contribuições de outros desenvolvedores.
Em resumo, as investigações digitais combinam preservação física do aparelho, uso de softwares especializados e, quando necessário, intervenções físicas para recuperar dados que possam servir como prova.
Com informações de G1




