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quinta-feira, outubro 22, 2026

Financiamentos podem custar muito mais que parcelas aparentes por conta do Custo Efetivo Total

Vídeos de negociações de carros financiados que viralizaram nas redes sociais reacenderam uma dúvida comum entre consumidores: quanto, de fato, custa um financiamento? Em publicações em que internautas questionam valores finais muito superiores às parcelas anunciadas, aparece o Custo Efetivo Total (CET) — indicador que reúne juros, tarifas, seguros e outros encargos e está presente em todas as modalidades de crédito, do financiamento de veículos e imóveis ao crédito consignado.

O que é o CET e o que inclui

O Custo Efetivo Total é a taxa que expressa o custo real de um empréstimo ou financiamento. Além da taxa de juros, o CET agrega despesas que fazem parte da operação: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tarifas administrativas (como taxa de cadastro), seguros (por exemplo, seguro prestamista que cobre morte ou invalidez, quando autorizado pelo consumidor) e outros encargos específicos de cada instituição e produto.

Os juros costumam ser o componente mais pesado do CET e, ao longo do prazo, representam a maior parte do que se paga. Em linhas gerais, as taxas de juros no crédito ficam entre 30% e 60% ao ano; no entanto, no cartão de crédito — especialmente no rotativo — as taxas podem ultrapassar 400% ao ano, tornando-o uma das modalidades mais onerosas.

Obrigatoriedade de informação e comparação

Por determinação do Banco Central do Brasil, bancos e financeiras obrigatoriamente informam o CET antes da contratação, acompanhando a apresentação de uma planilha que detalha cada custo e sua participação no valor final da dívida. Esse demonstrativo também deve constar de forma clara no contrato.

Na prática, o CET permite comparar ofertas de forma mais precisa. Um exemplo citado por especialistas ilustra o efeito dos encargos: em um financiamento de R$ 1.000 com juros de 12% ao ano, a inclusão de tarifas e do IOF pode elevar o custo total para cerca de 43,9% ao ano — evidência de que observar apenas a taxa de juros ou o valor da parcela pode dar falsa sensação de economia.

Impacto no endividamento e direitos do consumidor

O tema é sensível num contexto de endividamento elevado. Em março, 80,4% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o maior nível da série histórica. A inadimplência ficou em 29,6%, estável em relação a fevereiro, mas acima dos 28,6% registrados um ano antes.

Especialistas ouvidos alertam para a necessidade de avaliar o total a ser devolvido e não apenas o valor mensal. Marcos Crivelaro, professor de finanças da Fundação Vanzolini (USP), recomenda uma verificação simples: comparar quanto se pega emprestado com o total que será devolvido. Ele também observa que encargos como seguros e serviços adicionais frequentemente passam despercebidos, elevando o custo final.

Sobre juros excessivos, não há um teto legal fixo; contudo, taxas muito acima da média de mercado ou contratos com irregularidades podem ser consideradas abusivas. Stefano Ribeiro Ferri, especialista em direito do consumidor, ressalta que a transparência sobre o CET é fundamental e que sua omissão, a cobrança de serviços sem consentimento ou práticas como venda casada podem configurar abuso. Nesses casos, o consumidor pode buscar revisão ou anulação do contrato na Justiça.

Diante do cenário, a recomendação apontada por especialistas é de cautela na contratação de novas dívidas, a não ser que sirvam para substituir operações mais caras por outras mais baratas e após análise cuidadosa dos custos envolvidos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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