Senador afirma ter inscrito pedido para falar presencialmente em audiência marcada para 6 de julho
O gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL) informou, nesta terça-feira (23), que enviou aos Estados Unidos um pedido para participar da audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) agendada para 6 de julho. A audiência discutirá a proposta de tarifas anunciada pelo governo do presidente Donald Trump contra produtos brasileiros.
Até a última atualização da reportagem, o nome do senador ou de seu gabinete não constava na lista divulgada pelo USTR com as pessoas e entidades inscritas para o evento. Entre os inscritos aparecem o influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, além de organizações como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e representantes dos setores rural, de varejo e de mineração.
As inscrições para a audiência nos EUA foram encerradas na segunda-feira (22). O documento de inscrição enviado ao USTR foi recebido pelo blog na noite de segunda e a participação foi anunciada oficialmente pela assessoria de Flávio no Senado na terça.
No pedido ao órgão americano, Flávio se identifica como membro do Senado Federal, figura de destaque na oposição parlamentar e pré-candidato declarado à Presidência da República nas eleições de outubro. O senador solicitou cinco minutos para se manifestar presencialmente e em inglês. No requerimento, ele cita encontros pessoais com o presidente Donald Trump, com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado americano Marco Rubio para tratar dos temas que motivaram a investigação.
O documento anexado ao pedido antecipa que o senador se posicionará contra a aplicação da tarifa proposta de 25% sobre produtos brasileiros, defendendo que a medida seria ineficaz e teria efeitos adversos — penalizando exportadores brasileiros, importadores e consumidores norte-americanos, além de favorecer o governo alvo da investigação e prejudicar a oposição interna no Brasil. Flávio também declarou oposição a qualquer restrição direcionada ao Pix, o sistema público de pagamentos instantâneos do país.
Segundo o requerimento, o senador não busca alívio financeiro, mas pretende propor a restauração de uma parceria bilateral em termos “justos e recíprocos”, sugerindo a suspensão das tarifas em troca da abertura imediata de um mecanismo de negociação entre os dois países com agenda e calendário para tratar de seis pontos: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação de leis anticorrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e combate ao desmatamento ilegal. O gabinete confirmou que também protocolará comentários escritos e registros probatórios dentro do prazo previsto pelo USTR.
O anúncio do pedido de Flávio ocorre no contexto das intensas negociações conduzidas pelo governo brasileiro desde 2 de junho, quando os EUA divulgaram a nova proposta de tarifa adicional. A estratégia de Brasília tem sido priorizar a negociação diplomática, a apresentação de argumentos técnicos e a pressão política, com o objetivo de convencer Washington de que um acordo negociado é mais vantajoso do que a imposição de uma tarifa de 25%. O governo trabalha com o prazo de 15 de julho, data fixada pelo USTR para uma decisão final.
O USTR conduziu, em 1º de junho, a conclusão da investigação prevista na chamada Seção 301 contra o Brasil e propôs a aplicação de alíquota adicional. A audiência de 6 de julho integra o procedimento previsto na legislação comercial americana e permite que empresas, associações, governos e outros interessados apresentem argumentos antes da decisão final da administração norte-americana.
Especialistas ouvidos pelo veículo explicam que as audiências são uma consulta pública na qual os inscritos expõem argumentos oralmente, respondem a eventuais perguntas de representantes do governo dos EUA e têm suas manifestações registradas oficialmente. Podem participar empresas exportadoras e importadoras, associações empresariais, sindicatos, universidades, organizações da sociedade civil e representantes de governos estrangeiros. Embora as contribuições não determinem sozinhas o resultado, costumam influenciar itens como alíquotas, produtos afetados, cronograma e exceções. Após as consultas públicas, o processo pode incluir recebimento de comentários adicionais, análise técnica dos dados, consultas diplomáticas e a publicação da decisão final.
O histórico também registra que, em 2025, o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, agradeceu a Donald Trump pela imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Neste ano, Flávio afirmou ter enviado uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que as novas tarifas não sejam aplicadas.
O prazo para solicitar participação na audiência terminou em 22 de junho e o governo americano tem até 15 de julho para anunciar sua decisão sobre a eventual aplicação das tarifas propostas.
Com informações de G1




