Partida e carta aberta
Após embarcar em um avião executivo e desembarcar em Opa-locka, na Flórida, na manhã de quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta aberta dirigida ao “povo brasileiro e à comunidade internacional”. No documento, ele afirma ter sido alvo de uma fraude nas Eleições 2026, rejeita o resultado que consagrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e diz que assumirá a liderança da oposição desde o exterior.
Acusações e posicionamento
Na carta, o parlamentar contestou a prorrogação do horário de votação e acusou a chapa Lula-Alckmin de abuso de poder político e uso da máquina pública durante a campanha. Flávio também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dizendo que a extensão do período de votação teria beneficiado adversários e criado regras desiguais para eleitores.
O senador alegou ainda perseguição política iniciada com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que deixou o país para proteger a família e manter sua atuação política. Flávio declarou que não existe mandado de prisão contra ele e caracterizou as medidas judiciais como parte de uma “caça às bruxas” motivada politicamente.
Apoios e comparações históricas
Na carta, Flávio agradeceu ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e ao presidente argentino Javier Milei pelo acolhimento. Ele também comparou sua saída ao exílio de figuras históricas como Rui Barbosa e Charles de Gaulle, e citou opositores venezuelanos que atuaram fora do país como exemplos de resistência.
O senador anunciou que fará transmissões regulares aos seus apoiadores e que conduzirá – “daqui” – a mobilização da oposição, afirmando que continuará a representar os 60 milhões de eleitores que, segundo ele, lhe deram apoio.
Rota de saída e medidas judiciais
A viagem ocorreu apesar de determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia ordenado a apreensão dos passaportes do senador e proibido sua saída do país. Segundo informações da Direção Nacional de Migrações da Argentina e do site FlightAware, a família Bolsonaro cruzou a fronteira para a Argentina de carro na terça-feira (27) às 22h50; embarcou em voo particular no mesmo dia, às 23h30, em solo argentino com destino ao Equador; fez escala técnica em Guayaquil às 05h46 de quarta-feira (28) e decolou às 06h22 rumo aos Estados Unidos, com pouso em Miami às 10h24.
A Polícia Federal cancelou os passaportes oficiais do senador após ele não cumprir a intimação para entrega dos documentos em 24 horas. Em reação à saída, o Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao STF a prisão preventiva de Flávio e a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol.
Posição final
Flávio Bolsonaro reforçou na carta que sua saída não constitui fuga, mas uma decisão para preservar a família e permitir que ele atue politicamente com liberdade. Ele concluiu afirmando que continuará a dirigir a oposição e a mobilizar seus apoiadores por meios que qualificou como pacíficos e legítimos.
Com informações de Paranaibamais




