Quem e o que: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve no centro de especulações nesta terça-feira (27) após reportagem apontar uma suposta saída do Brasil em voo particular e após a Polícia Federal cancelar os seus passaportes por descumprimento de ordem judicial.
Acusações e ordens judiciais
Flávio é alvo de dois inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF). Em um deles, há suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Em outro, ele é investigado por suposto financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na noite de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes e proibiu sua saída do país.
Rumores sobre jato e roteiro apontado
O site argentino Infobae divulgou que o senador teria cruzado a fronteira por Puerto Iguazú e seguiria de jato particular rumo aos Estados Unidos. A publicação identificou a aeronave como um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, fabricado em 2004, com 14 assentos e autonomia estimada entre 7.000 e 7.800 quilômetros, atribuída à empresa Baires Fly S.A., registrada em 25 de setembro de 2020. Segundo o Infobae, a empresa teria solicitado liberação de alfândega e imigração para quatro passageiros e três tripulantes.
Dados do Flightradar24 mostraram que um Gulfstream G400 da Baires Fly pousou em Puerto Iguazú às 23h45 de segunda-feira, mas até início da tarde de terça não havia registro público de decolagem subsequente — ressalva feita de que voos particulares nem sempre aparecem nas plataformas de rastreamento.
Declarações e relatos
O piloto Mauro Mattosinho disse ao R7 ter recebido informação, via funcionário do aeroporto, de que o nome do senador constaria na lista de passageiros de um voo executivo em Puerto Iguazú. A colunista Mônica Bergamo relatou que aliados de Flávio teriam sido avisados sobre uma fuga. O grupo Itatiaia afirmou que advogados do ex-candidato não conseguiram contato com o senador na manhã de terça, enquanto a CNN Brasil disse que Flávio havia combinado de recebê-los.
Autoridades não localizam registros
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou não haver registro de entrada de Flávio no país e passou a fiscalizar a aeronave e sua tripulação devido ao “frenesi midiático”. A Casa Rosada também indicou não ter registro de entrada do senador, e policiais federais de Foz do Iguaçu não encontraram sinais de passagem dele pela fronteira.
Cancelamento dos passaportes e desdobramentos
O prazo para entrega dos documentos venceu às 11h desta terça e, como os passaportes não foram apresentados, a Polícia Federal cancelou os documentos e informou que oficiará o ministro Alexandre de Moraes sobre o descumprimento. A investigação segue em andamento para apurar se houve saída do território nacional em desacordo com a ordem judicial.
Reações públicas e contexto político
Na segunda-feira (26), Flávio publicou vídeo afirmando que agentes da PF o abordaram ao sair da casa do pai, em Brasília, e chamou a medida de tentativa de intimidação, garantindo que não pensava em deixar o país e que entregaria os documentos para se defender. Após a apuração das eleições, em que Lula foi reeleito com 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio — diferença superior a 4,4 milhões de votos — o senador rejeitou a derrota e disse que pediria a anulação do pleito, argumento que contrapôs à decisão do Partido Liberal, que reconheceu a vitória de Lula.
Há menções na imprensa sobre o contexto familiar: Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, está nos Estados Unidos mesmo com mandado de prisão em aberto, e havia defendido que Flávio deixasse o país em caso de derrota; Flávio nega irregularidades nas investigações que o atingem.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o senador tenha deixado o Brasil; as informações sobre um jato e o possível deslocamento têm sido objeto de apuração por parte das autoridades argentinas e brasileiras.
Com informações de Paranaibamais




