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quarta-feira, outubro 14, 2026

Freelancers relatam perda de trabalhos e queda de demanda após avanço de IAs como ChatGPT

Freelancers relatam substituição e redução de oportunidades por ferramentas de IA

Freelancers de diversas áreas dizem enfrentar perda de trabalhos e mudanças nas vagas desde que ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT e Gemini, passaram a ser usadas por empregadores para tarefas antes terceirizadas. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK), divulgado em maio de 2025, aponta que um em cada quatro empregos no mundo está potencialmente exposto à transformação pela IA generativa.

Em entrevistas ao g1, profissionais que atuam como autônomos relataram episódios em que clientes optaram por usar IAs para produzir textos, traduções e identidade visual, além de uma alteração no perfil das vagas, com exigência de múltiplas habilidades e redução de remuneração.

Casos relatados

Mariana Del Nero, 38 anos, publicitária e produtora de conteúdo com 15 anos de experiência, conta que em 2024 perdeu um trabalho de uma cliente atendida por mais de uma década depois que a contratante compartilhou, em um grupo de WhatsApp, um texto pronto que Mariana reconheceu imediatamente como produzido por IA. Ela afirma que, a partir dessa experiência, decidiu incorporar ferramentas como o ChatGPT ao seu fluxo de trabalho para “ficar por trás da IA” e acelerar entregas. Segundo Mariana, tarefas que antes levavam cerca de duas horas passaram a ser feitas em 15 minutos, mantendo a qualidade, mas a demanda por trabalhos pontuais diminuiu e isso não se traduziu em aumento de rendimento.

Cássio Menezes, 35 anos, designer gráfico há mais de uma década, relata que, em outubro de 2025, um cliente questionou o valor cobrado dizendo: “Por que você tá cobrando esse valor se eu posso ir no ChatGPT e fazer?”. O contratante desistiu do serviço de criação de identidade visual. Cássio diz que estava cobrando R$ 1,6 mil pelo pacote — valor já reduzido em relação a cerca de três anos atrás, quando pedia em torno de R$ 3 mil — e que hoje vê clientes considerarem preços como R$ 1,5 mil caros. Ele também observa que muitas vagas na área criativa passaram a exigir várias funções ao mesmo tempo, com remuneração baixa.

Maria Fernanda, 34 anos, tradutora freelancer há cinco anos, descreve uma mudança sentida desde o início de 2024: a maior parte das ofertas que recebe é para revisar traduções geradas por IA. O trabalho de revisão tem remuneração menor que a tradução completa, mas demanda menos tempo, o que permite aceitar mais projetos e manter o faturamento. Ela afirma que impactos variam por área; traduções técnicas e publicitárias foram mais afetadas, enquanto o mercado literário ainda privilegia traduções humanas.

Dicas e posicionamento

A professora Luciana Morilas, especialista em trabalho da FEA-USP, diz que, para se manter relevante, profissionais devem valorizar aspectos criativos e exclusivos de seu trabalho. “A criatividade não é previsível por algoritmos, é algo da natureza humana. A máquina jamais vai ser criativa”, afirma. Luciana recomenda também não demonizar a IA e aprender a usar as ferramentas no dia a dia, citando aplicações práticas como transcrever áudios e organizar cronogramas para evitar ficar “para trás” no mercado.

Profissionais ouvidos destacam que a presença crescente das IAs já alterou práticas e expectativas no mercado freelance, forçando adaptações tanto na forma de trabalhar quanto na negociação de preços e pacotes de serviços.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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