30.6 C
Uberlândia
sexta-feira, novembro 6, 2026

Geração distribuída cresce no Brasil e provoca cortes para equilibrar o sistema elétrico

Quem e o que: O aumento da geração distribuída fotovoltaica no Brasil tem obrigado o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a adotar cortes de produção para manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Atualmente, 4,6 milhões de consumidores também atuam como micro ou minigeradores, cerca de 5% do total de clientes do sistema elétrico.

Quando e como: No último domingo (23), o ONS acionou pela segunda vez um mecanismo que determina a redução de geração na rede: as distribuidoras foram orientadas a desligar aproximadamente 1 gigawatt (GW) entre 11h e 13h30. Situação semelhante havia ocorrido em junho, quando o mesmo instrumento foi utilizado pela primeira vez.

Onde e por quê: Residências, comércios e propriedades rurais que instalaram painéis solares mudaram a composição da matriz energética brasileira ao produzir eletricidade no próprio local ou nas proximidades. Como a geração solar e eólica depende de condições naturais, sua produção é intermitente e, em momentos de alta geração combinada com baixa demanda — especialmente fins de semana e horários de pico solar —, o sistema pode ter mais oferta do que consegue absorver. A energia elétrica não é, em larga escala, armazenada para uso posterior, o que obriga o ONS a tomar medidas para preservar a segurança operacional.

Incentivos e impacto na tarifa: Especialistas ouvidos afirmam que a expansão da geração distribuída foi estimulada por benefícios que isentam quem gera a própria energia de pagar integralmente pela infraestrutura de distribuição. O Marco Legal da Geração Distribuída, sancionado em 2022, assegurou esses benefícios até 2045 para consumidores que solicitaram o serviço até janeiro de 2023; quem aderiu depois foi alocado em dois grupos de transição conforme a data de entrada. Gradualmente, passou a haver cobrança pelo uso da infraestrutura quando há injeção de energia na rede.

Cláuber Leite, diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética, afirma que os subsídios viabilizaram a transformação da matriz, mas hoje representam desafio setorial e impacto relevante na conta de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estimou a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em R$ 52,7 bilhões para 2026, dos quais cerca de R$ 47,8 bilhões seriam pagos via tarifa. A CDE financia políticas públicas do setor com recursos da União e encargos cobrados dos consumidores.

Cortes e perdas: Segundo Roberto Brandão, diretor técnico-científico do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ, mesmo quando se reduz ao mínimo a geração hídrica e térmica, pode permanecer excesso de oferta, o que leva ao corte sucessivo de eólica e solar, inclusive em usinas que não são despachadas diretamente pelo ONS. Para esses geradores do chamado tipo III, o ONS recorre às distribuidoras para organizar os desligamentos.

A consultoria Volt Robotics estimou que, em 2025, os cortes na geração solar e eólica causaram prejuízos de R$ 6,5 bilhões. Joisa Dutra, do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (Cebi) da FGV, aponta que o excesso de energia e os cortes comprometem o retorno dos investimentos, gerando perdas financeiras e, em alguns casos, dificultando o cumprimento de obrigações de investidores.

Possíveis alternativas: O ONS afirma que avalia medidas para reduzir o descompasso entre carga e geração, como ampliar o uso de sistemas de armazenamento, fortalecer a infraestrutura de transmissão e atrair novas cargas eletrointensivas — por exemplo, data centers. A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) propõe sinais econômicos horários nas tarifas das distribuidoras, exigência de mecanismos de supervisão e controle para consumidores com geração distribuída, restrição de novos acessos em áreas com capacidade esgotada e instalação de armazenamento no Sistema Interligado Nacional. A entidade também cita estímulos ao aumento da demanda por eletricidade, incluindo eletrificação industrial, expansão da mobilidade elétrica, crescimento de data centers e desenvolvimento do hidrogênio verde.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também