Escanear QR Code em cardápios, mesas de restaurantes ou placas de pagamento pode expor consumidores a fraudes que desviam dinheiro, roubam senhas e até comprometem o aparelho celular. Especialistas alertam que criminosos têm substituído códigos originais por versões falsas para direcionar vítimas a páginas fraudulentas ou a chaves Pix controladas por golpistas.
O esquema, conhecido como quishing — termo que une “QR Code” e “phishing” — ganhou destaque após a prisão de uma quadrilha suspeita de trocar códigos em estabelecimentos na Bahia. Autoridades e especialistas dizem que casos vêm ocorrendo em restaurantes, estacionamentos, eventos e outros locais que adotaram a tecnologia.
Como funciona o golpe
Na prática, criminosos aplicam um adesivo com um QR Code adulterado sobre o código legítimo. Ao apontar a câmera do celular, a pessoa pode ser levada a um site que imita a página do estabelecimento ou a um pedido de pagamento que usa uma chave Pix dos golpistas. Em situações mais graves, o QR Code aciona o download de um arquivo malicioso que, se instalado, permite ao invasor acessar dados do aparelho, monitorar aplicativos financeiros, capturar senhas e coletar contatos e outras informações pessoais.
O advogado especialista em Direito Digital Afonso Morais afirma que o aumento desse tipo de fraude acompanha a difusão dos QR Codes nos últimos anos. Segundo ele, a adoção acelerou-se durante a pandemia por reduzir o contato físico, e a confiança dos usuários passou a ser explorada por criminosos. Morais também alerta que muitas vítimas não percebem quando o celular foi comprometido.
Estabelecimentos também são alvo
Além dos consumidores, restaurantes e outros comerciantes podem ter prejuízos. Como muitos QR Codes ficam fixos em mesas, paredes ou totens, um único adesivo colocado sobre o código original pode enganar dezenas de clientes antes que a adulteração seja notada. Especialistas recomendam inspeções frequentes nos materiais expostos, treinamento de funcionários para identificar alterações e substituição imediata de qualquer peça violada. Há relatos de funcionários que teriam sido aliciados por criminosos para realizar a troca.
Como se proteger
Órgãos de defesa do consumidor e especialistas em segurança digital listam medidas de prevenção antes de escanear um QR Code:
- Verificar se o código apresenta sinais de adesivos sobrepostos ou qualquer alteração física na placa;
- Conferir o endereço eletrônico exibido antes de fornecer dados pessoais;
- Não instalar aplicativos solicitados após acessar um QR Code de cardápio ou promoção;
- Antes de confirmar um Pix, checar se o nome e o CNPJ do destinatário correspondem ao estabelecimento;
- Desconfiar de códigos recebidos por mensagem, redes sociais ou promoções não solicitadas;
- Quando houver dúvida, pedir um cardápio físico ou usar a máquina de pagamento do local.
O Procon recomenda passar a mão sobre a placa do QR Code para detectar um possível adesivo: um relevo discreto pode ser sinal de adulteração. Especialistas enfatizam que o sucesso do golpe depende da confiança do usuário, e que alguns segundos de atenção podem evitar prejuízos financeiros e a invasão do celular.
Com informações de Paranaibamais




