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quarta-feira, outubro 14, 2026

Golpes com IA evoluem e sinais visuais deixam de ser confiáveis; especialistas recomendam verificação por canais independentes

A utilização de inteligência artificial em fraudes financeiras está mudando o perfil dos criminosos e tornando mais difícil detectar falsificações apenas pela aparência, segundo relatório da Unico em parceria com a Liminal e especialistas ouvidos pelo G1. O levantamento estima 6 milhões de vítimas em 2025, um aumento de 141% em relação a 2021.

Entre os tipos de ataque que avançaram estão o roubo de contas e a injeção de imagens e vídeos manipulados, que representa 45,8% dos casos classificados. Ferramentas de IA com custo em torno de US$ 30 (R$ 153) por mês permitem que golpes que antes exigiam grupos especializados e equipamentos caros sejam realizados por indivíduos com menos infraestrutura.

Especialistas dizem que defeitos visuais que eram indícios comuns de falsificação — como movimentos oculares anômalos, dedos deformados ou aparência artificial do rosto — estão ficando raros à medida que os modelos evoluem para corrigir essas falhas. Ainda assim, podem surgir problemas em situações específicas, como quando a pessoa vira o rosto de perfil ou emite sons que exigem fechamento dos lábios, ou quando há descompasso entre voz e movimento da boca.

Como identificar e reagir

Em vez de confiar apenas em sinais visuais, pesquisadores e especialistas entrevistados recomendam atenção a sinais contextuais: pedidos inesperados de dinheiro, pressão emocional por urgência, pressão para agir sem pensar e tentativa de impedir confirmação por outro canal. A orientação prática é interromper a conversa e confirmar a solicitação por um caminho independente — por exemplo, ligar para um número conhecido ou fazer uma pergunta que só a pessoa real saberia responder.

Nas empresas, pedidos que fogem do padrão também devem ser checados diretamente com o responsável por canais internos. A estratégia principal apontada é adotar um protocolo de verificação em vez de tentar “vencer” a IA pela observação direta.

Concentração e evolução das fraudes

O relatório indica que São Paulo concentra 22,06% dos alertas de fraude no Brasil, índice associado aos polos de maior atividade digital. A Unico afirma que a IA reduziu barreiras para a prática de crimes, transformando operações complexas em ações que podem ser conduzidas por um único fraudador. Entre junho de 2025 e abril de 2026, os casos de injeção de imagens e vídeos manipulados cresceram nove vezes.

Os ataques mais avançados — incluindo deepfakes e manipulações físicas — representam 23,3% dos casos no mundo, número que chega a quase metade das ocorrências na América Latina. A identidade sintética, quando criminosos combinam dados reais e falsos para criar perfis inexistentes (por exemplo, CPF real com nome inventado), cresce a uma taxa estimada de oito vezes ao ano, e 79% dos profissionais acreditam que essa modalidade acelerará mais rapidamente que outras fraudes.

Riscos e recomendações pós-golpe

O relatório e os especialistas apontam o deepfake como a principal ameaça digital atual, capaz de abrir a “porta da frente” em vez de exigir invasão a sistemas bancários. Se a pessoa for vítima, as medidas imediatas recomendadas são estancar prejuízos, recuperar acessos e preservar provas: contestar transferências via aplicativo, solicitar acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, bloquear cartões, encerrar acessos e trocar senhas — priorizando o e-mail, que costuma ser usado para recuperar outras contas.

No caso de envio de imagens íntimas ou material comprometedores, a orientação é não pagar ou negociar e não enviar mais conteúdo; é importante guardar mensagens, perfis, números e links antes de denunciar e pedir remoção nas plataformas. Em todos os casos, conservar comprovantes, conversas, horários e dados do golpista e registrar boletim de ocorrência são passos recomendados, mas as instituições financeiras devem ser acionadas imediatamente, sem aguardar o boletim.

Os dados também mostram que indivíduos ligados a fraudes atuam em escala: um mesmo perfil identificado na rede da Unico esteve associado a 949 documentos de identidade diferentes e a tentativas de ataque contra 30 empresas, o que ressalta a necessidade de compartilhamento de sinais entre instituições para impedir reaplicações do mesmo golpe.

Enquanto houver dúvida, a recomendação reiterada por especialistas é não enviar dinheiro, dados ou códigos antes de confirmar a solicitação por um canal independente.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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