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segunda-feira, outubro 12, 2026

Governo atualiza cadastro de empregadores por trabalho análogo à escravidão e inclui 82 nomes

O governo federal anunciou, nesta terça-feira (6), a inclusão de 82 empregadores no Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”. Do total, 54 são pessoas físicas e 28, pessoas jurídicas. A nova atualização representa uma redução de aproximadamente 51,48% em relação à edição anterior, divulgada em abril.

Segundo o Ministério do Trabalho, os casos adicionados ocorreram entre 2024 e 2026 e se distribuíram por 21 unidades da Federação. As operações ligadas às inclusões resultaram no resgate de 553 trabalhadores submetidos a situações de exploração.

As atividades econômicas com maior número de empregadores incluídos foram: criação de bovinos para corte (8), serviços domésticos (7), produção de carvão vegetal (6), produção de café (6) e construção de edifícios (5).

Os estados com maior quantidade de empregadores adicionados na lista foram: Minas Gerais (19), Bahia (8), Amazonas (6), Maranhão (6), Mato Grosso do Sul (4), São Paulo (4), Rio Grande do Sul (4), Piauí (4), Mato Grosso (3), Pernambuco (3), Roraima (3), Paraná (2), Goiás (2), Santa Catarina (2), Pará (2), Espírito Santo (2), Tocantins (2), Rondônia (2), Paraíba (2), Rio Grande do Norte (1) e Rio de Janeiro (1).

A atualização também registrou a exclusão de 151 empregadores que completaram dois anos de permanência no cadastro.

Entre os nomes citados pelo governo está o do Estado de Rondônia, incluído após o resgate de dois trabalhadores em condições análogas à escravidão em junho deste ano. A lista também passou a conter a empresa T. F. Zimpel Ltda., de propriedade de Taiany França Zimpel — eleita Miss Mato Grosso em 2024 —, apontada como empregadora de 20 trabalhadores resgatados em setembro do ano passado na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão, em Nova Maringá.

Em São Paulo, duas churrascarias foram incluídas: Boizao Eventos, após o resgate de 15 trabalhadores em duas ações distintas realizadas em julho deste ano; e a Churrascaria Marginal do Tietê, vinculada ao resgate de dois trabalhadores em maio. No Rio Grande do Sul, Fabiano Stuani entrou no cadastro depois de uma operação no ano passado que resgatou nove pessoas de uma propriedade rural em Flores da Cunha, onde atuavam na colheita de uva.

O cadastro é divulgado semestralmente, em abril e outubro. Empregadores só são inseridos após a conclusão de processo administrativo relativo a autos de infração por trabalho análogo à escravidão, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. Em regra, o nome permanece por dois anos no cadastro.

Uma portaria publicada em julho de 2024 prevê regras que permitem a retirada antecipada do cadastro ou a não inclusão quando o empregador assina termo de ajustamento de conduta, comprometendo-se a indenizar as vítimas com, no mínimo, 20 salários mínimos, e a investir em programas de apoio aos trabalhadores resgatados. Nesses casos, o empregador passa a integrar o Cadastro de Empregadores em Ajustamento de Conduta, mas pode retornar à “lista suja” se descumprir compromissos ou reincidir nas práticas.

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que completou 30 anos em 2025, já participou do resgate de mais de 70 mil trabalhadores desde 1995. Ao longo das operações, foram assegurados mais de R$ 171 milhões em verbas salariais e rescisórias. A Auditoria-Fiscal do Trabalho coordena o GEFM, e as ações de resgate são frequentemente coordenadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em conjunto com órgãos como Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União.

As denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas pelo Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. O sistema permite reclamações anônimas e orienta a fiscalização a partir das informações recebidas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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