UE veta carne brasileira a partir de 3 de setembro; governo busca reverter decisão
O Ministério das Relações Exteriores ampliou as tratativas com representantes da União Europeia na tentativa de desbloquear a negociação sobre a exclusão da carne do Brasil da lista de importadores do bloco, decisão motivada pelo uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. A medida da UE passa a valer a partir de 3 de setembro.
Antimicrobianos são substâncias empregadas no tratamento e prevenção de infecções em animais; alguns desses medicamentos também são usados como promotores de crescimento em rebanhos.
De acordo com interlocutores do Palácio do Itamaraty, o ministro Mauro Vieira conversou na última quinta-feira (4) com o comissário de Comércio da União Europeia sobre o tema. A informação foi apurada pelo repórter Vladimir Netto, da TV Globo. O governo busca reverter, ao menos parcialmente, a decisão antes da data de vigência em setembro.
Paralelamente, o Ministério da Agricultura e o setor privado estão empenhados em apresentar soluções técnicas para atender às exigências europeias, entre elas a realização de visitas técnicas presenciais aos criadouros, conforme solicitado pelo bloco.
Na sexta-feira (5), a União Europeia publicou documento formalizando a exclusão do Brasil da lista de países que a Comissão Europeia considera em conformidade com as regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Na lista anterior, de 2024, o Brasil constava como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Com a nova decisão, o país foi retirado da relação para todos esses produtos.
Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, mantêm autorização para exportar ao bloco europeu.
Segundo o documento publicado pela UE, o Brasil não apresentou as informações exigidas pela Comissão Europeia que comprovem o cumprimento dos requisitos do bloco referentes ao uso de antimicrobianos. A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, disse previamente que o país poderá retornar à lista assim que comprovar o atendimento às normas solicitadas. O governo brasileiro afirmou, na ocasião do anúncio, que ficou surpreso e que iria negociar.
O Brasil foi o único país excluído por não apresentar as informações requisitadas. Outros três territórios foram removidos por não manifestarem mais interesse em exportar para a UE: Austrália (ovos), Ucrânia (coelhos) e Ilhas Malvinas (produtos de aquicultura). Em contrapartida, a UE manteve 21 países e territórios na sua lista de conformidade.
O governo mantém esforços diplomáticos e técnicos na busca por alternativas que permitam garantir às autoridades europeias os requisitos exigidos antes da entrada em vigor da vedação.
Com informações de G1




