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segunda-feira, setembro 14, 2026

Governo propõe aumentar mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%

O Governo Federal anunciou nesta sexta-feira (24) a intenção de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A proposta, identificada como E32, será submetida à apreciação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em reunião prevista para 7 de maio.

O anúncio foi feito em Uberaba pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante a abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol. Segundo o governo, a medida pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina e levar o país à autossuficiência no combustível. “O Brasil se tornará autossuficiente em gasolina”, afirmou o ministro ao defender que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética e diminui a dependência de combustíveis fósseis.

Evolução histórica da mistura

O aumento do teor de etanol na gasolina é um processo antigo no Brasil. Dados oficiais e estudos do setor mostram a progressão das misturas ao longo das décadas:

  • 1976: 11% de etanol na gasolina (E11)
  • 1978: mistura variou entre 18% e 23%
  • 1984 a 1986: 20%
  • 1993 a 1998: 22%
  • 2007: entre 23% e 25%
  • 2015: 27%
  • 2025: 30%
  • Proposta para 2026: 32%

Impacto nos veículos

Uma das principais dúvidas sobre o E32 é se a mudança afetará os automóveis. A professora de engenharia mecânica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Ana Marta de Souza, afirmou que veículos flex fabricados no Brasil já estão projetados para operar com altos percentuais de etanol e não devem sofrer alterações mecânicas. “Os motores flex já estão preparados para qualquer porcentagem de etanol, então não há necessidade de mudanças na fabricação”, explicou.

Por outro lado, Ana Marta alertou que carros projetados apenas para gasolina, sobretudo modelos mais antigos, podem demandar adaptações em componentes e recalibração do sistema de injeção eletrônica, o que pode afetar a durabilidade desse sistema. Ela também destacou que o etanol tem menor poder energético que a gasolina, o que pode elevar o consumo em alguns casos, embora a maior octanagem do álcool possa favorecer o desempenho em motores flex.

Testes técnicos conduzidos para a implementação do E30, com participação do Ministério de Minas e Energia, Petrobras, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Instituto Nacional de Tecnologia (INT), já avaliaram a viabilidade de misturas entre E22 e E30 e, segundo o governo, validaram uso de gasolina com até 32% de etanol.

Repercussões para montadoras e preço

A elevação do percentual também pode gerar custos adicionais para fabricantes, que precisam homologar motores e validar desempenho, emissões e durabilidade diante de novas especificações do combustível. A engenheira Ana Marta observou que despesas maiores podem recair sobre modelos importados ou veículos a gasolina que não foram projetados para misturas mais altas.

O governo sustenta ainda que a maior participação de etanol anidro, normalmente mais barato que a gasolina importada, deve ajudar a reduzir preços nos postos, ao diminuir a pressão dos valores internacionais do petróleo sobre o mercado doméstico. A proposta para alterar a mistura segue o que determina a Lei do Combustível do Futuro, que condiciona aumentos na mistura à comprovação técnica de segurança e desempenho para os veículos.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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