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quarta-feira, outubro 28, 2026

Governo prorroga subsídio ao diesel de R$ 2,12 por litro e setor agro sente vulnerabilidade

Quem e o que: O governo federal anunciou, em 27 de outubro de 2026, a prorrogação por 30 dias da subvenção de R$ 2,12 por litro ao diesel.

Quando e por que: A decisão tem o objetivo de reduzir o efeito da alta dos preços internacionais do petróleo — que foi negociado entre US$ 100 e US$ 106 na primeira quinzena de outubro e atingiu US$ 113,17 no dia 22 — sobre os valores no mercado interno. Segundo o governo, qualquer patamar acima de US$ 70 por barril gera forte pressão sobre os preços no Brasil.

Fatores que pressionam o preço

Além da elevação do preço do barril, a desvalorização do real contribui para o encarecimento da produção e da importação do diesel. Apesar de o Brasil ser um grande produtor de petróleo, o país importa parcela significativa do combustível: entre janeiro e agosto, a produção da Petrobras cresceu 18,5%, de 32,7 milhões para 38,7 milhões de barris, mas não foi suficiente para atender à demanda.

No primeiro semestre de 2026, o consumo brasileiro de diesel somou 213,2 milhões de barris. A produção nacional atingiu 154,8 milhões de barris e as importações chegaram a 43,5 milhões, equivalendo a 20,4% do consumo no período. Em agosto, o diesel importado representou 23,14% das vendas nacionais de diesel A, conforme dados da ANP.

Impacto nos preços domésticos

O aumento dos preços internacionais e o câmbio se refletiram no mercado doméstico. Na primeira quinzena de outubro, o preço do diesel comum subiu 6,67%, alcançando média de R$ 7,20 por litro, enquanto o diesel S-10 subiu 5,07%, para R$ 7,46 por litro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). Em comparação com janeiro, o diesel comum acumula alta de 15,2%.

Os valores variam conforme a região: no Norte, o litro do diesel comum tinha média de R$ 7,75 e o S-10 R$ 7,80. Em Roraima, o diesel comum chegou a R$ 8,19; no Acre, o S-10 atingiu R$ 8,30. No Sul e no Sudeste, a média do diesel comum era de R$ 6,97 por litro.

Consequências para transporte e agronegócio

A alta do diesel pressiona custos de frete e de produção, setor que depende majoritariamente do transporte rodoviário no país. Especialistas destacam que a dependência das estradas amplia o efeito dos aumentos do combustível sobre o custo de escoamento de mercadorias. Agricultores do Rio Grande do Sul já manifestaram preocupação com risco de falta de diesel às vésperas do plantio da safra de verão.

O professor Paulo Feldmann, da FEA-USP, observa que combustíveis como gasolina e diesel impactam fortemente o transporte de mercadorias no Brasil e afetam a produtividade do país. Murilo Viana, mestre em economia pela Unicamp, alerta que subsídios que mantêm preços internos abaixo dos internacionais podem desestimular importações pela iniciativa privada, pressionando a Petrobras a participar mais das compras externas ou a vender com prejuízo por litro, o que poderia trazer risco ao abastecimento.

Limitações do subsídio e caminhos sugeridos

A prorrogação do subsídio busca conter repasses de custos, mas analistas ressaltam limites da medida: depende de recursos públicos em um momento de contas públicas apertadas e precisa ser temporária e com regras claras para evitar manutenção permanente de preços artificialmente baixos. Viana também aponta que o aumento da arrecadação com exportação de petróleo e tributos pode justificar, em parte, o gasto do governo com a subvenção.

Para reduzir a vulnerabilidade a choques externos, especialistas defendem ampliar e modernizar a capacidade de refino brasileira, investir em alternativas de transporte que diminuam a dependência das rodovias e ampliar a produção nacional de insumos, como fertilizantes. Francismar Ferreira, do Ineep, ressalta a necessidade de modernizar refinarias e rever investimentos no setor para diminuir a dependência de importações.

O desfecho sobre a eficácia e a duração do subsídio dependerá do comportamento dos preços internacionais do petróleo, do câmbio, da resposta do setor privado às condições de mercado e da capacidade do governo de arcar com o custo da medida.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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