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domingo, outubro 18, 2026

Governo Trump mira o Pix e diz que sistema prejudica gigantes de cartão dos EUA

Relatório da Casa Branca aponta risco concorrencial do Pix

Um relatório divulgado pela Casa Branca em 1º de abril de 2026 apontou que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, tem criado uma situação de desvantagem para grandes empresas americanas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. Segundo o documento, o Banco Central do Brasil foi o responsável por criar e regular o Pix, e há temor entre interessados dos EUA de que o regulador conceda tratamento preferencial ao sistema, em detrimento de fornecedores norte-americanos de serviços de pagamentos eletrônicos.

O texto do relatório ressalta ainda que o uso do Pix é obrigatório para instituições que administram mais de 500.000 contas, o que, na avaliação dos autores, poderia favorecer o sistema doméstico em relação a concorrentes estrangeiros.

Não é a primeira vez que a administração Trump critica a política brasileira sobre pagamentos. Em julho de 2025, os Estados Unidos já haviam incluído preocupações sobre serviços digitais de comércio e pagamento oferecidos por governos estrangeiros em processo formal, citando práticas que poderiam favorecer serviços de pagamento desenvolvidos por Estados, segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA.

O documento, intitulado Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, aborda também outros pontos de preocupação relacionados ao Brasil. Entre eles, o relatório afirma que a mineração ilegal de ouro corresponderia a 28% da atividade de mineração no país, o que, segundo os autores, cria competição desleal para empresas americanas que seguem normas ambientais e trabalhistas.

Sobre o desmatamento e extração ilegal de madeira, o relatório estima que quase 50% da madeira colhida no Brasil seja obtida de forma ilegal, chegando a 90% no caso da Amazônia brasileira. Os autores apontam enfraquecimento da fiscalização, expansão da produção agrícola e corrupção como fatores que permitem essas práticas, destacando impactos sobre espécies de alto valor como ipê e mogno.

O relatório também menciona que a ausência de uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado expõe a competitividade de empresas dos EUA. No campo regulatório digital, o projeto conhecido como PL dos Mercados Digitais é identificado como potencial risco à concorrência: embora não tenha avançado no Congresso, o relatório alerta que critérios de designação previstos poderiam afetar de forma desproporcional empresas americanas e admitir multas de até 20% do faturamento global.

Em relação à proteção de dados, o texto observa atraso na implementação de normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e lembra que, desde agosto de 2025, empresas dos EUA que tratam dados brasileiros devem ter contratos atualizados e um encarregado de dados (DPO) nomeado.

As consultas da Anatel sobre regulação de serviços de valor adicionado e plataformas digitais, incluindo possíveis obrigações de remuneração, também são citadas. O relatório registra que, em novembro de 2024, o Ministério das Comunicações anunciou que o governo desistiria da abordagem de cobrança por uso de rede.

Por fim, o documento destaca diferenças de tratamento a operadores de satélites: operadores estrangeiros enfrentam taxas anuais de exploração mais elevadas que empresas brasileiras. Segundo o relatório, entidades nacionais podem obter direito exclusivo de operar satélites e frequências, enquanto operadores estrangeiros recebem apenas um direito não exclusivo por até 15 anos, devendo readquirí-lo posteriormente.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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