Servidores técnico-administrativos de universidades federais estão em greve em pelo menos 44 instituições, segundo levantamento realizado pelo G1. A paralisação foi anunciada pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) em fevereiro e teve adesões imediatas em alguns locais, com expansão durante março e abril.
Os trabalhadores exigem, sobretudo, a implementação integral do Termo de Acordo da Greve, firmado em 2024 após meses de paralisações e negociações com o governo. Entre as outras reivindicações estão a manutenção da jornada de 30 horas semanais e flexibilizações para ampliar o atendimento à população; a implantação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para toda a categoria — incluindo aposentados e pensionistas; e posicionamento contrário à Reforma Administrativa e ao Projeto de Lei 6170/2025.
A movimentação não interrompeu as aulas na maioria das instituições, mas prejudica serviços de suporte, como atendimento administrativo, emissão de documentos, funcionamento de bibliotecas e setores de matrícula, entre outros.
Universidades afetadas
As instituições com paralisação confirmada incluem, entre outras: Universidade Federal da Bahia (Ufba); Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) — nas unidades de Cuiabá, Barra do Garças, Sinop e Rondonópolis; Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Universidade Federal de Pelotas (UFPEL); Universidade Federal de Rio Grande (FURG); Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Universidade Federal do Piauí (UFPI); Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar); Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE); Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Universidade Federal de Viçosa (UFV); Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Universidade Federal do ABC (UFABC); Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila); Universidade Federal de Sergipe (UFS); Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT); Universidade Federal do Tocantins (UFT); Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa); Universidade Federal do Amazonas (Ufam); Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Universidade Federald do Acre (Ufac); Universidade Federal de Alagoas (Ufal); Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Universidade Federal do Pará (UFPA); Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa); Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
Posição do governo
Em nota, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirmou que o governo atendeu grande parte das demandas dos técnico-administrativos por meio da Lei 15.367/2026, sancionada em março. Segundo o órgão, as negociações com as entidades representativas resultaram na assinatura do Termo de Acordo (TA) n° 11/2024 em 27 de junho de 2024, assinado pelo governo, Fasubra e Sinasefe, que prevê reestruturação de carreira e reajustes salariais para 2025 e 2026.
O MGI informou também que foi criado um Grupo de Trabalho para avaliar tecnicamente e juridicamente as propostas das entidades, com mais de sete reuniões entre 2024 e 2025, e que avanços como o RSC — em fase de regulamentação — e a jornada de 30 horas semanais (com 6 horas ininterruptas para atendimento ao público externo) constam na Lei 15.367/2026. A pasta citou, ainda, dispositivo para plantões de 12 horas por 60 horas para servidores de hospitais universitários e vigilantes e disse manter diálogo permanente com as categorias, mencionando reunião realizada em 15 de abril, em Brasília.
O Ministério da Educação (MEC) foi procurado por e-mail, mas não havia respondido até a última atualização desta reportagem.
A notícia segue sem desfecho adicional até que novas informações sejam divulgadas pelas partes envolvidas.
Com informações de G1




