O Bell 430 que levava o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner, desapareceu durante um voo em Santa Catarina na segunda-feira (21). Os destroços foram localizados na terça-feira (22) e as cinco pessoas a bordo — o cantor Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira — morreram.
O que registra a chamada “caixa‑preta”
O termo “caixa‑preta” reúne dois tipos de gravadores: um destinado a registrar sons e conversas na cabine e outro que armazena dados de voo, como velocidade, altitude e parâmetros de funcionamento da aeronave. Esses registros auxiliam na reconstrução dos momentos anteriores a um acidente.
Nem todo helicóptero precisa ter os mesmos gravadores
Ao contrário de muitos aviões comerciais, helicópteros não são obrigatoriamente equipados com os mesmos dispositivos de gravação em todas as operações. A exigência varia conforme o tipo de operação, capacidade de passageiros e outras características. Assim, não se pode presumir a presença de gravadores apenas pelo modelo da aeronave.
O ELT do helicóptero de Rick
A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que o helicóptero possuía um ELT (Transmissor Localizador de Emergência) devidamente registrado e com contatos de emergência atualizados. No entanto, durante as buscas não foi captado qualquer sinal na frequência de 406 MHz, e a FAB afirmou não ter identificado tentativas de transmissão ou sinal residual do equipamento.
Como foram feitas as buscas
A ausência de sinal não impede a adoção de procedimentos de Busca e Salvamento (SAR). A FAB mobilizou aeronaves, helicópteros, drones e equipes em terra. Com base em dados obtidos pelos celulares das vítimas, as buscas focaram inicialmente nas regiões do Morro Agudo e de Santa Bárbara. Uma aeronave da FAB avistou os destroços e repassou a localização às equipes terrestres.
Investigações sem gravadores
Condições meteorológicas e registros auxiliares
O helicóptero caiu em área de serra catarinense com relevo acidentado e vegetação densa, onde a visibilidade pode ser reduzida. A investigação também levará em conta informações meteorológicas, relatos de testemunhas, fotos e vídeos. No caso desta ocorrência, o videomaker Paulo Soares publicou imagens minutos antes do desaparecimento, e registros de celulares das vítimas ajudaram a orientar a busca.
Por que o ELT pode não ter emitido sinal
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) destacou que o funcionamento do ELT depende do sistema instalado na própria aeronave. Sem uma análise técnica do helicóptero, não é possível afirmar se o transmissor falhou, foi danificado no impacto, não chegou a ser acionado ou se houve outro tipo de problema.
Próximas etapas da apuração
Com a localização dos destroços, os investigadores passam a preservar o local, documentar a cena e recolher peças e documentos para análise. Os materiais podem ser examinados em laboratório, e serão verificadas a manutenção da aeronave, registros de voo e a experiência da tripulação. O objetivo do CENIPA é identificar fatores que contribuíram para o acidente e emitir recomendações para evitar ocorrências similares.
Até o momento, a causa da queda não foi determinada e a investigação segue sob responsabilidade do CENIPA. Como destacou o gerente de segurança operacional João Lucas Neiva Lisboa, é prematuro atribuir uma causa antes da conclusão das análises.
Com informações de Paranaibamais




