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sábado, outubro 24, 2026

Ideb do ensino médio sobe levemente para 4,3 em 2025, mas fica abaixo da

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 registrou avanço em todas as etapas em comparação com a edição de 2023, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (5). No entanto, o desempenho do ensino médio público apresentou aumento discreto, de 4,1 para 4,3, permanecendo aquém da meta de 5,2, que já deveria ter sido atingida em 2021 e não foi atualizada.

Em declaração, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou: “O avanço nesta etapa é menos expressivo. A matemática entra como um esforço importante de trabalho [nos próximos anos]”.

Estados com melhor desempenho e casos de avanço artificial

Algumas redes estaduais destacaram-se pela melhora consistente, como o Paraná, que lidera o ranking; o Piauí, com ganho expressivo em matemática; Goiás, com salto na última década; e o Espírito Santo, em evolução contínua desde 2019. Outras unidades federativas, porém, mostraram elevações no Ideb possivelmente impulsionadas por mudanças nas regras de aprovação, e não por crescimento real na aprendizagem.

O caso do Rio Grande do Norte ilustra esse problema: o Ideb do ensino médio subiu de 3,2 (2023) para 3,9 (2025), mas as notas do Saeb permaneceram praticamente estagnadas, especialmente em matemática. Paralelamente, a taxa de aprovação no 1º ano saltou de 67,9% em 2023 para 87,9% em 2025; no 2º ano, passou de 79,1% para 95,8% no mesmo período. Uma portaria de julho de 2025 autorizou que alunos do 1º e 2º anos avancem mesmo reprovados em até seis componentes curriculares, cumprindo as disciplinas pendentes em regime de dependência com plano de estudos individualizado, acompanhamento por tutor e sem exigência de frequência mínima de 75% nas atividades específicas.

No Rio de Janeiro, a rede estadual teve retrocesso nas notas do Saeb: Português caiu de 258,09 para 254,76 e Matemática de 252,19 para 251,53. Mesmo assim, as taxas de aprovação aumentaram: no 1º ano, de 74,3% (2023) para 88,8% (2025); no 2º ano, de 81,2% para 92,6%. A secretaria estadual passou a permitir o avanço a alunos reprovados em até seis componentes mediante plano individual de estudos.

Para Ricardo Madeira, gerente de Desenvolvimento da Gestão em Educação do Instituto Unibanco e professor da USP, o recurso de “inflar” o Ideb por mudança no fluxo tem “data de validade”. Ele observa que, com níveis de fluxo já elevados, as redes que adotaram essa estratégia terão de melhorar a aprendizagem para seguir progredindo.

Melhoras reais e retrocessos

Hubo também estados com avanços reais. O Rio Grande do Sul passou de 3,9 para 4,7 no Ideb e apresentou ganhos em proficiência: Matemática de 273,70 para 282,88 e Português de 281,07 para 291,94. No Piauí, o Saeb mostrou aumento expressivo em Matemática (266,60 para 286,60, +20 pontos) e em Português (266,42 para 279,43, +13 pontos). Alagoas e Minas Gerais registraram recuperação tanto no fluxo quanto nas notas do Saeb. O Paraná se manteve como destaque nacional, com os melhores resultados de aprendizagem segundo a ONG Todos Pela Educação.

Entre os retrocessos no Saeb estão Amapá (Matemática de 254,36 para 253,39; Português de 264,77 para 261,24), Distrito Federal (Matemática de 262,61 para 260,63; Português de 268,94 para 268,17) — único ente federativo com redução no Ideb (-0,1) — e Rondônia (Matemática de 264,91 para 263,64; Português de 268,64 para 268,23).

O que os resultados do Saeb mostram sobre habilidades dos alunos

A maioria das redes estaduais do ensino médio situa-se no nível 2 da escala do Saeb em Língua Portuguesa, o que indica dificuldades como localizar informações em textos complexos, identificar a finalidade de documentos técnicos e reconhecer o tema central de textos literários. No nível 3 estão Paraná (293,30), Rio Grande do Sul (291,94), Goiás (286,95), Espírito Santo (283,47), Santa Catarina (281,67), Minas Gerais (279,99), Piauí (279,43), Pernambuco (279,29) e São Paulo (276,24), com maior capacidade de reconhecer temas, mas limitações para interpretar infográficos técnicos, distinguir tese de argumentos e identificar ironia.

Em Matemática, muitas redes também aparecem no nível 2, com alunos capazes de resolver questões básicas, mas com dificuldades para analisar funções quadráticas, problemas de proporcionalidade e cálculos percentuais. No nível 3 (Paraná, Goiás, Piauí, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Pernambuco) os estudantes conseguem tarefas mais complexas, mas ainda apresentam lacunas para determinar áreas de regiões compostas, resolver sistemas de equações e calcular probabilidades simples.

Os dados completos por rede estadual mostram variações importantes entre evolução de fluxo e proficiências, indicando que ganhos no Ideb nem sempre refletem avanço real na aprendizagem dos alunos do ensino médio.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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