Levantamento do Anuário Estatístico da Abracopel 2026 mostra aumento nos incêndios de origem elétrica em casas de Minas Gerais: em 2025 foram registrados 148 casos, alta de 32% em relação a 2024, quando ocorreram 112 incêndios. O número de óbitos no estado subiu de uma para três no período.
Em nível nacional, os episódios de incêndio elétrico cresceram 102% nos últimos cinco anos, passando de 606 para 1.304 ocorrências em 2025. As mortes em decorrência desses sinistros aumentaram 28% no mesmo intervalo, indo de 47 para 60 vítimas. O estudo aponta que o ambiente doméstico concentrou 51 das 60 mortes registradas no país.
O relatório identifica instalações elétricas inadequadas como a principal causa dos incêndios: foram 706 casos ligados a esse fator em 2025, com 33 óbitos. Entre os aparelhos mais frequentemente associados a incidentes estão:
- Ar-condicionado e ventiladores: 166 ocorrências e 14 mortes;
- Eletrodomésticos e eletrônicos: 113 casos e três óbitos;
- Tomadas: 20 registros e duas mortes;
- Carregadores de celular: 19 incidentes e cinco mortes.
Relatos locais ilustram o impacto desses incêndios. Em fevereiro, um curto-circuito na rede elétrica provocou um incêndio no bairro Residencial Integração, zona leste de Uberlândia, em que uma família perdeu todos os bens. As chamas atingiram uma casa de fundos em um imóvel tipo colônia, composto por três residências, e o foco concentrou-se em uma moradia de três cômodos.
Em março, um filtro de água que entrou em curto causou um incêndio em um apartamento na rua Gaia, no bairro Granja Marileusa, também em Uberlândia. Não houve vítimas humanas, mas houve danos materiais no imóvel e parte do prédio foi evacuada devido à fumaça. A proprietária não estava presente; vizinhos arrombaram a porta depois de identificar a fumaça e conseguiram salvar o cachorro que estava dentro.
Alerta da Cemig
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) alerta para o risco do uso de benjamins (“Ts”) e extensões para ligar vários aparelhos simultaneamente, prática que pode provocar sobrecarga, superaquecimento e curtos-circuitos. O perigo é maior quando adaptadores são usados em equipamentos de alta potência, como fritadeiras elétricas e ferros de passar.
A Cemig recomenda a instalação do Interruptor Diferencial Residual (IDR), que desliga a energia automaticamente ao detectar falhas. Embora a norma exija o dispositivo desde 1997 em ambientes como cozinhas e banheiros, apenas 47% das residências brasileiras têm o equipamento. José Firmo do Carmo Júnior, gerente de Saúde e Segurança Corporativa da empresa, orienta ainda que aparelhos como chuveiros, micro-ondas e ar-condicionado sejam alimentados por circuitos exclusivos.
Com informações de Paranaibamais




