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terça-feira, novembro 3, 2026

Índia pode sair do mercado internacional de açúcar por ao menos três safras, pressionada por El Niño e demanda por etanol

Quem: Índia, usinas, agricultores, governo e executivos do comércio e da indústria

O que: A Índia, que já foi o segundo maior exportador mundial de açúcar, deve ter disponibilidade reduzida para embarques internacionais por pelo menos as próximas três safras. A combinação do risco de queda na produção de cana devido ao El Niño e do aumento da destinação da matéria-prima para a produção de etanol está deixando milhões de toneladas fora do mercado global.

Quando e onde: As restrições e a menor produção estão sendo observadas na safra atual e projetadas para afetar os anos seguintes, com impacto em exportações ao longo das próximas três campanhas; medidas e decisões estão sendo tomadas em Nova Délhi e nas principais regiões produtoras indianas.

Como: Fontes do setor, executivos e autoridades afirmam que chuvas abaixo da média associadas ao El Niño reduziram plantios e levaram agricultores a adiar o cultivo de cana. Ao mesmo tempo, políticas para ampliar a mistura de etanol à gasolina e a adoção de veículos flex-fuel aumentam a demanda interna por álcool combustível, reduzindo a quantidade de açúcar disponível para exportação.

Por quê: O enfraquecimento das monções por efeito do El Niño tem provocado precipitação abaixo do esperado — com junho mais de 40% abaixo da média — o que desencorajou o plantio de variedades de cana de ciclo longo e estimulou a troca para culturas menos exigentes em água. Além disso, o estímulo à produção de etanol para reduzir a dependência de petróleo importado amplia a concorrência pela matéria-prima.

Dados do setor indicam que, nas cinco safras até 2022-23, a Índia exportou em média 6,8 milhões de toneladas métricas por ano, equivalente a cerca de 10% do comércio global. Neste ano, após embarcar cerca de 800 mil toneladas, o país suspendeu autorizações de exportação até 30 de setembro — fim da safra — e o governo tende a renovar suspensões safrinha por safrinha, segundo fontes.

Especialistas e representantes da indústria alertam que a produção projetada para a safra caiu de 30,95 milhões para cerca de 27,9 milhões de toneladas, abaixo do consumo anual estimado em 28,5 milhões de toneladas. Os estoques nas usinas em 1º de outubro devem recuar para aproximadamente 3,5 milhões de toneladas, o menor nível em mais de três décadas, segundo executivos consultados.

Além dos efeitos climáticos, a Índia vem promovendo a mistura maior de etanol à gasolina e a adoção de veículos flex-fuel. Estimativas do setor indicam que a demanda por etanol pode subir dos atuais 12–13 bilhões de litros para cerca de 30 bilhões de litros até 2039-40. Montadoras e fabricantes de motocicletas já lançaram modelos flex-fuel no país, e o governo isentou impostos sobre gasolina com níveis maiores de etanol, inclusive lançando combustível com até 85% de etanol.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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