O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou, nesta terça-feira (9), que as condições no Oceano Pacífico Equatorial apontam para um aumento na probabilidade de formação do El Niño em 2026. Segundo o órgão, o aquecimento das águas superficiais tem se intensificado nas últimas semanas e pode influenciar o clima em várias regiões do Brasil, elevando a chance de episódios meteorológicos extremos.
Sinais consistentes de evolução
O acompanhamento do Inmet detectou mudanças relevantes nas temperaturas da superfície do mar na área conhecida como Niño 3.4, usada como referência para monitorar o fenômeno. Em abril a anomalia era ligeiramente negativa; em maio ela passou para 0,49°C, aproximando-se do patamar considerado favorável.
Nas semanas seguintes o aquecimento avançou e as anomalias ficaram iguais ou acima de 0,5°C por quatro semanas consecutivas. Na primeira semana de junho o índice atingiu 0,7°C, segundo o instituto, o que reforça a tendência de desenvolvimento do El Niño.
Para que o evento seja oficialmente classificado, o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) precisa registrar valores iguais ou superiores a 0,5°C por pelo menos cinco trimestres consecutivos. Com os dados e projeções atuais, o primeiro trimestre a alcançar esse critério deve ser o composto por abril, maio e junho.
Monitoramento e previsões
O Inmet mantém o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas ligadas ao fenômeno e também considera projeções de centros meteorológicos internacionais. A instituição informou que uma nova nota técnica com informações atualizadas sobre a possível evolução do El Niño 2026 deve ser divulgada até o fim desta semana.
Impactos regionais previstos
Especialistas acompanham o cenário por causa do potencial impacto no regime de temperatura e precipitação no país. Caso a formação seja confirmada, o fenômeno pode alterar os padrões climáticos no segundo semestre de 2026 e no verão de 2027.
No Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba, estudos indicam tendência a temperaturas acima da média, episódios mais secos, queda na umidade do ar e maior frequência de ondas de calor, com momentos mais críticos podendo registrar temperaturas entre 35°C e 38°C. O fortalecimento de bloqueios atmosféricos também pode dificultar a chegada de frentes frias organizadas, contribuindo para chuvas irregulares.
O Sul do Brasil figura entre as áreas mais sensíveis aos efeitos do El Niño, com histórico de aumento das chuvas, maior ocorrência de tempestades severas e elevação do risco de eventos extremos. Pesquisadores ressaltam, porém, que o fenômeno não provoca desastres diretamente; ele apenas aumenta a probabilidade de condições meteorológicas severas, cuja gravidade depende de fatores como infraestrutura e planejamento urbano.
Acompanhamento internacional
Pesquisadores fora do país também monitoram a possibilidade de um episódio intenso. Modelos climáticos mostram alta probabilidade de desenvolvimento do El Niño nos próximos meses, embora persista incerteza quanto à intensidade final. Entre os elementos observados estão o aquecimento do Pacífico Equatorial, as anomalias positivas na região Niño 3.4 e o comportamento dos ventos alísios, que influenciam a evolução do sistema.
Até novas atualizações, o foco do acompanhamento está na velocidade e na persistência do aquecimento oceânico, fatores determinantes para confirmar a consolidação do El Niño 2026.
Com informações de Paranaibamais




