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quinta-feira, outubro 29, 2026

Investimento de Joesley Batista na Avibras e alta das exportações marcam boom do setor bélico brasileiro

Investimento de Joesley Batista reacende produção da Avibras e ilustra expansão do setor de defesa

Um aporte de R$ 300 milhões feito por um grupo de investidores, entre eles o empresário Joesley Batista, reacendeu a produção da Avibras, empresa brasileira especializada em foguetes e mísseis. A empresa, fundada em 1961 e em recuperação judicial desde 2022, retomou as atividades no mês passado em sua fábrica de São José dos Campos (SP), agora com o nome Avibrás Aeroco. A paralisação incluiu uma greve de 1.281 dias.

O movimento ocorre em um contexto de aumento global dos gastos militares e de forte expansão das exportações brasileiras de material de defesa. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares mundiais subiram 2,9% em termos reais, alcançando US$ 2,887 trilhões em 2025, o 11º ano consecutivo de crescimento. O total representou 2,5% do PIB global em 2025.

O Brasil foi o país que mais aumentou despesas militares na América do Sul em 2025, com alta de 13%, totalizando US$ 23,9 bilhões, conforme o SIPRI. O crescimento se deu, sobretudo, por maiores investimentos em desenvolvimento tecnológico naval e pelo aumento dos custos com pessoal militar. Entre os cinco maiores compradores de equipamentos militares brasileiros no último ano estão Alemanha, Bulgária, Portugal, Emirados Árabes e Estados Unidos.

Em paralelo, a indústria de defesa nacional registrou recorde histórico de autorizações para exportação em 2025, com US$ 3,1 bilhões em produtos e serviços — alta de 74% em relação a 2024 (US$ 1,78 bilhão) e mais que o dobro do valor de 2023 (US$ 1,45 bilhão). Houve um aumento acumulado de cerca de 114% entre 2023 e 2025. A Base Industrial de Defesa (BID) comercializa atualmente para 140 países, por meio de 80 empresas exportadoras, e o setor responde por cerca de 3,5% do PIB e gera quase 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

Além do aporte na Avibras, outro destaque recente foi o anúncio da Embraer de um pedido internacional recorde feito por um único país — os Emirados Árabes — para o cargueiro C-390 Millennium, o maior avião desenvolvido pela companhia.

Especialistas ouvidos afirmam que o Brasil já tem tradição exportadora em armas leves desde os anos 1970, com empresas como a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a estatal IMBEL. A CBC é citada como uma das líderes globais do segmento, com fábricas nos Estados Unidos e na Europa e atuação como fornecedora de munição para países da Otan. A estratégia nacional de defesa estabelecida em 2008 teria estimulado programas e projetos que elevaram a complexidade dos equipamentos produzidos no país, como o avião militar C-390 (KC-390 quando equipado para reabastecimento em voo), já vendido para mais de dez países e em operação em Portugal, Hungria e Coreia do Sul, além do contrato recente com os Emirados Árabes.

No caso da Avibras, embora tenha apresentado problemas administrativos nos últimos anos e atraído ofertas de compra de grupos da China e dos Emirados Árabes, a empresa é apontada como detentora de competência técnica para produzir sistemas como mísseis de cruzeiro. Procurada, a Avibras não se manifestou.

Analistas também alertam para os riscos do destino final desses equipamentos. Há preocupações sobre vendas para governos autoritários, países em conflito e atores não estatais, com registros recentes de exportações para locais considerados instáveis. Em 2024, o Brasil teve aumento nas vendas de armas e munições para Burkina Faso, que somaram US$ 8,4 milhões. No passado, empresas brasileiras foram alvo de denúncias por vendas a países como o Bahrein, e houve críticas pelo uso de armamentos brasileiros em conflitos como o do Iêmen.

Empresas como a CBC afirmam manter códigos de conduta para terceiros, exigindo autorizações de órgãos competentes — entre eles Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, Diretoria de Produtos Controlados do Exército e o Departamento de Estado norte-americano — e limitando operações com países em conflito interno que possam causar sofrimento à população. A CBC não se manifestou quando procurada.

O aquecimento do mercado externo é apontado como fator essencial para a escala produtiva das empresas nacionais, já que a demanda doméstica sozinha não sustentaria o aumento das vendas e a redução dos custos unitários de produção.

O setor brasileiro de defesa segue, portanto, em expansão, com investimentos privados, crescimento das exportações e atenção às demandas internacionais por munições, aeronaves e sistemas navais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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