Comando militar iraniano diz que segurança regional pode elevar preço do petróleo a US$ 200 por barril
Teerã — O comando militar do Irã afirmou nesta quarta-feira que o mundo precisa se preparar para o petróleo atingir US$ 200 por barril, enquanto a escalada de ataques no Golfo Pérsico continua, com mais três navios mercantes atingidos, elevando para 14 o número de embarcações afetadas desde o início da guerra.
Segundo a transmissão da Band, o governo iraniano intensificou disparos contra Israel e outros alvos no Oriente Médio, demonstrando capacidade de retaliar e de afetar o fornecimento de energia global, apesar do que o Pentágono classificou como os ataques mais intensos feitos pelos EUA e por Israel até agora.
O porta-voz do comando militar, Ebrahim Zolfaqari, declarou que o aumento do preço do petróleo decorre da instabilidade regional que atribuiu aos Estados Unidos, e alertou que o mercado pode chegar a US$ 200 por barril. Zolfaqari também prometeu retaliações contra bancos que mantêm negócios com Estados Unidos ou Israel e aconselhou que a população no Oriente Médio mantenha distância dessas instituições.
Na mesma jornada, autoridades relataram que os militares iranianos lançaram mísseis contra uma base americana no norte do Iraque, contra o quartel-general naval dos EUA para o Oriente Médio em Bahrein e contra alvos no centro de Israel. Explosões foram ouvidas no Bahrein, e em Dubai quatro pessoas ficaram feridas após a queda de dois drones perto do aeroporto. O Departamento de Aviação Civil do Bahrein informou que aeronaves da Gulf Air sem passageiros e alguns cargueiros foram desviados para aeroportos alternativos.
Moradores de Teerã disseram que já se acostumam aos bombardeios noturnos, que provocaram evacuações em massa e deixaram a cidade coberta pela fumaça preta do petróleo. “Houve bombardeios ontem à noite, mas não fiquei assustado como antes. A vida continua”, disse Farshid, 52 anos, à Reuters por telefone.
Grandes multidões participaram de funerais de comandantes mortos em ataques aéreos, carregando caixões e retratos do líder supremo morto, Ayatollah Ali Khamenei, e de seu filho e sucessor, Mojtaba. Uma autoridade iraniana afirmou que Mojtaba Khamenei foi ferido levemente no início da guerra, quando ataques aéreos mataram seu pai, sua mãe, sua esposa e um filho; ele não apareceu publicamente desde então.
Os preços do petróleo, que chegaram a quase US$ 120 por barril na segunda-feira, recuaram e se estabilizaram em torno de US$ 90, à medida que investidores apostam que o presidente dos EUA, Donald Trump, conseguirá encerrar rapidamente a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A Agência Internacional de Energia (IEA) propôs uma grande liberação de reservas de petróleo diante da crise.
Autoridades americanas e israelenses afirmam que seus objetivos incluem limitar a projeção de poder do Irã e destruir seu programa nuclear; o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que a operação “continuará sem limite de tempo”. Desde o início dos ataques aéreos dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro, mais de 1.300 civis iranianos foram mortos, segundo o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani. Ataques iranianos contra Israel deixaram pelo menos 11 mortos, dois soldados israelenses morreram no Líbano, e Washington diz que sete soldados americanos foram mortos e cerca de 140 ficaram feridos.
Os incidentes marítimos no Golfo Pérsico continuam a gerar preocupação sobre a segurança das rotas comerciais e o impacto no fornecimento energético global, enquanto não há sinais de trégua ou de retorno seguro do tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Com informações de G1




