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quarta-feira, novembro 4, 2026

Irrigação transforma Vão do Paranã, em Goiás, de “corredor da miséria” a polo de fruticultura

Água e tecnologia mudam renda de assentamentos no nordeste goiano

Agricultores familiares do Vão do Paranã, no nordeste de Goiás, têm ampliado a produção de frutas após a implantação de sistemas de irrigação e assistência técnica. O projeto, desenvolvido pela Embrapa e financiado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), já atende 80 produtores e contou com R$ 23 milhões em investimentos, com meta de alcançar 250 famílias e irrigar 500 hectares.

Em Flores de Goiás, no assentamento da reforma agrária onde mora, a agricultora Júlia Pereira de Andrade lembra o período em que passou dois anos sem água na propriedade: “Eu ajoelhei e pedi muito a Deus para que me desse água”, relata. Após a perfuração de um poço artesiano na chácara da família, água suficiente para uso doméstico e irrigação passou a permitir o cultivo de maracujá e manga que hoje garantem renda.

O projeto utiliza como vantagem uma característica geográfica local: cercada pela Chapada dos Veadeiros e pela Serra Geral de Goiás, a região concentra água subterrânea, o que facilita a abertura de poços para abastecer sistemas de irrigação. Para o pesquisador da Embrapa José Carlos Sousa, a água permite que o produtor tenha fonte de renda ao longo de todo o ano.

A estratégia técnica prevê que cada agricultor receba kit de irrigação e assistência para dois hectares: um hectare destinado ao maracujá, cultivo de ciclo curto que começa a produzir em cerca de seis meses; e um hectare para manga, cultura de longo prazo que tende a iniciar produção em aproximadamente quatro anos e se manter por décadas. Em algumas propriedades, a colheita de maracujá já alcançou 30 toneladas por safra, o dobro da média nacional.

No perfil familiar de Júlia, antes da fruticultura irrigada a produção servia apenas ao consumo próprio e o marido, João, precisava trabalhar fora. Com o novo sistema, o casal passa a cultivar dois hectares e obteve rendimento rápido: Júlia afirma ter faturado cerca de R$ 15 mil em dois meses com a venda de maracujá e abóbora, valor usado para quitar parte do financiamento do projeto e investir em melhorias na casa.

O impacto econômico tem se refletido também em decisões de permanência no campo. O jovem Daniel Rodrigues, de 19 anos e formado em agropecuária, optou por ficar na propriedade da família para aplicar os conhecimentos em fruticultura irrigada. Produtores relatam investimentos adicionais em energia solar e eletrodomésticos.

Entre os desafios, permanece a comercialização: sem compradores fixos, muitos dependem de atravessadores e enfrentam variações de preço. Para mitigar esse problema, agricultores criaram uma cooperativa e aguardam a conclusão de uma agroindústria financiada pelo governo estadual, que deve processar maracujá e manga em polpas, agregando valor.

O modelo vem atraindo interesse de outras unidades da federação e há previsão de replicação em comunidades rurais da Bahia, de Mato Grosso e de Minas Gerais. Produtores locais demonstram otimismo sobre a ampliação de mercados e a consolidação da fruticultura irrigada como alternativa de renda e fixação no campo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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