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quarta-feira, outubro 28, 2026

Jornadas longas, insegurança e assédio ligados a mais de 840 mil mortes anuais, aponta OIT

Relatório da OIT relaciona riscos psicossociais a mortes, doenças e impacto econômico

Mais de 840 mil pessoas morrem a cada ano no mundo por problemas de saúde associados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas extensas, insegurança no emprego e assédio, diz relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O estudo estabelece ligação direta desses fatores com doenças cardiovasculares e transtornos mentais, incluindo casos de suicídio.

Segundo a OIT, os riscos psicossociais são responsáveis por quase 45 milhões de anos de vida saudável perdidos anualmente, considerando doença, incapacidade ou morte prematura. Além do efeito sobre a saúde, a organização estima que esses riscos causem prejuízos equivalentes a 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB) global por ano.

O documento, intitulado “O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação”, foi elaborado para marcar o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril. A OIT ressalta que a forma como o trabalho é planejado, organizado e gerido tem papel central na saúde dos trabalhadores.

Para a agência, o ambiente psicossocial engloba a estrutura do trabalho, as práticas de gestão, as relações interpessoais e as políticas adotadas pelas empresas. O relatório identifica três dimensões principais que influenciam o risco de adoecimento: a natureza do trabalho (nível de exigência e adequação às habilidades), a organização e gestão (carga de trabalho, autonomia e apoio) e as políticas e práticas do local de trabalho (jornadas, remuneração e prevenção ao assédio).

A OIT alerta que, quando esses elementos são mal administrados, o risco de doenças aumenta. A organização também chama atenção para transformações recentes — como a digitalização, o avanço da inteligência artificial e a expansão do trabalho remoto — que podem agravar riscos já existentes ou originar novos desafios se não houver políticas adequadas de acompanhamento.

Manal Azzi, líder da equipe de políticas de segurança e saúde da OIT, afirmou que os riscos psicossociais vêm se configurando como um dos principais desafios para a segurança e a saúde no ambiente de trabalho contemporâneo. Segundo ela, aperfeiçoar as condições laborais é fundamental para proteger a saúde física e mental dos trabalhadores e, simultaneamente, reforçar a produtividade e o desempenho das organizações.

O relatório aponta que esses riscos podem ser prevenidos se forem enfrentadas suas causas estruturais. Entre as recomendações estão a reestruturação da organização do trabalho, o fortalecimento de políticas de segurança e saúde e a promoção do diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores.

No Brasil, o governo reconheceu o avanço dos riscos psicossociais ao atualizar a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais. A mudança estava prevista para vigorar em maio de 2025, mas a implementação foi adiada para maio de 2026 após pressão de entidades empresariais; o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estuda novo adiamento.

Com a atualização da NR-1, auditores do trabalho passariam a ter poder de fiscalização e aplicação de multas diante de problemas como metas excessivas, jornadas longas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia e condições precárias de trabalho — aspectos que seriam equiparados, em termos de fiscalização, a questões relacionadas a acidentes ou doenças ocupacionais. A postergação da norma ocorre num momento em que, em 2025, o país registrou piora no quadro de afastamentos: mais de meio milhão de licenças por transtornos mentais, totalizando mais de 546 mil afastamentos por saúde mental naquele ano. O MTE informou que ainda não definiu uma posição final e que deve divulgar a decisão em breve.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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