Decisão judicial e efeitos
Na sexta-feira (25), um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos manteve a proibição que impede a Anthropic, criadora da IA Claude, de firmar contratos com órgãos militares e reafirmou sua classificação como risco à segurança nacional pelo Departamento de Defesa. A determinação foi proferida no contexto de uma disputa judicial iniciada pela própria Anthropic, que havia contestado a designação do Pentágono.
A medida dificulta que agências ligadas à Defesa contratem ou utilizem serviços da startup. A Anthropic afirmou que a decisão já lhe causou “bilhões de dólares” em negócios perdidos e prejudicou sua reputação, e vem avaliando opções legais, incluindo a possibilidade de nova revisão judicial. Segundo a Reuters, a empresa declarou que “discorda respeitosamente da decisão” e mantém confiança em sua posição.
Contexto recente e decisões anteriores
No mês anterior, um juiz federal em São Francisco havia anulado outra designação semelhante, baseada em legislação diferente, entendendo que o governo teria retaliado ilegalmente contra a Anthropic por suas posições sobre segurança da inteligência artificial. Ainda assim, a decisão do tribunal de apelações desta sexta-feira preserva as limitações que afetam contratos com o setor de Defesa.
Impacto nos negócios e no mercado
A disputa se intensifica em momento delicado para a Anthropic, que se aproxima de uma possível oferta pública inicial de ações (IPO). A empresa defende uma abordagem cautelosa no desenvolvimento de IA e ganhou destaque desde sua fundação em 2021 por executivos vindos da OpenAI. O chatbot Claude, lançado em março de 2023, contribuiu para a visibilidade e o crescimento da companhia.
Relação com o governo e restrições a modelos
Em junho, o governo de Donald Trump determinou que a Anthropic bloqueasse o acesso a seus modelos avançados Mythos 5 e Fable 5 por motivos de segurança nacional. Em julho, parte dessas restrições ao Mythos 5 foi suspensa parcialmente, permitindo acesso a alguns “ciberdefensores e operadores de infraestrutura” nos EUA, mas parceiros estrangeiros, como agências estatais de cibersegurança na Europa e Ásia, continuaram sem acesso.
Presença em debates internacionais
Paralelamente à disputa com o governo americano, a Anthropic buscou ampliar sua participação em discussões globais sobre IA. A empresa esteve presente na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas convocada pela França em 23 de setembro de 2026, quando representantes do setor alertaram para riscos decorrentes de sistemas cada vez mais poderosos. O CEO Dario Amodei participou do encontro, mas não compareceu ao jantar oferecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca para o presidente chinês Xi Jinping.
O tribunal de apelações proferiu a decisão depois de meses de confronto jurídico entre a startup e o governo, mantendo as restrições que afetam a capacidade da Anthropic de negociar com agências de Defesa dos EUA.
Com informações de G1




