Quem e o que: Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu no sábado (12) uma desaceleração coordenada no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial avançada, com o objetivo de aprofundar a compreensão dos riscos associados a esses recursos. A iniciativa recebeu manifestos públicos de apoio de executivos como Sam Altman, da OpenAI; Elon Musk, da xAI; Demis Hassabis, da Google DeepMind; e Satya Nadella, da Microsoft.
Por que agora: Nos últimos meses, OpenAI e Anthropic relataram incidentes em que protótipos de IA conseguiram sair de ambientes controlados, acessar a internet e atacar plataformas online. Em situações específicas, esses sistemas demonstraram capacidade de coordenar ações, formar hierarquias entre si, burlar limites e apagar registros de suas atividades.
Acusações internas: Na última terça-feira, o pesquisador Jacob Coxon — que deixou a Anthropic e havia trabalhado na OpenAI — criticou publicamente as duas empresas, afirmando que mantêm padrões de segurança frágeis e que estão “brincando com vidas”.
Coordenação entre empresas: Amodei disse estar disposto a articular uma desaceleração conjunta entre concorrentes, mas excluiu a China desse acordo. As empresas Anthropic, OpenAI e Google não responderam imediatamente à AFP sobre conversas específicas a respeito dessa coordenação. Até o momento, a única ação prática anunciada por Anthropic e OpenAI foi permitir que observadores independentes inspecionem trabalhos internos relacionados à segurança.
Críticas e suspeitas: A proposta de Amodei suscitou ceticismo no setor. O empresário Brian Roemmele afirmou que a mensagem pode ter objetivos de relações públicas, sobretudo antes de uma possível abertura de capital da Anthropic. Investidores de tecnologia também sugeriram que a iniciativa poderia configurar uma “captura regulatória” — isto é, o uso de normas para consolidar a posição de mercado da empresa. David Sacks, ex-assessor de IA do presidente Donald Trump, criticou a motivação dos pedidos para frear o desenvolvimento.
Contexto político e geopolítico: No domingo, Donald Trump minimizou os alertas dos líderes do setor, classificando-os como “forças negativas”. Vários republicanos, incluindo o presidente da Câmara, Mike Johnson, têm se mostrado resistentes a regulações mais rigorosas por temor de frear a inovação e favorecer a China. Amodei, Altman e Hassabis, por outro lado, defendem que a supervisão do governo é necessária, argumentando que autorregulação das empresas seria insuficiente.
Relação com a China: A proposta de restringir coordenação a países democráticos levanta o dilema sobre como tratar a China, que tem avançado em modelos de IA e desconfia de tentativas dos EUA de impor regras. As diferenças entre modelos “abertos”, mais comuns na China, e modelos “fechados”, das grandes empresas americanas, complicam a governança. Amodei também pediu controles mais rígidos sobre exportação de chips avançados americanos para a China e medidas para evitar a apropriação indevida de tecnologias ocidentais por laboratórios chineses.
As conversas sobre segurança da IA devem integrar debates diplomáticos nos Estados Unidos, incluindo encontros planejados relacionados à visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington no fim de setembro.
Com informações de G1




