Novas obras infantis apresentam pobreza e soluções coletivas
Duas obras infanto-juvenis publicadas recentemente pela Companhia das Letrinhas reúnem o músico Emicida e a economista Esther Duflo para abordar pobreza e desigualdade social de forma acessível a crianças. As publicações, intituladas Volta por cima e Conta comigo, contam histórias ambientadas em locais fictícios que poderiam situar-se na África, na Ásia ou na América do Sul, e convidam o leitor a pensar em soluções comunitárias para problemas econômicos.
Emicida assina a introdução e acompanha a leitura com observações ao longo dos livros, fazendo conexões entre as narrativas e experiências pessoais. A participação do cantor segue sua trajetória em publicações infantis anteriores, como Amoras (2018) e E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas (2020), ambas também lançadas pela Companhia das Letrinhas.
As histórias seguem personagens como Imeuni, Tsongai e Bibir e descrevem situações que permitem discutir temas complexos com público jovem. Volta por cima acompanha a jornada de uma jovem em busca de trabalho e aborda empreendedorismo, economia local, inovação e microcrédito. Conta comigo enfatiza valores como solidariedade e comunidade e também trata de questões como violência doméstica, etarismo e preconceito.
Esther Duflo, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e vencedora do Nobel de Economia em 2019 — quando tinha 46 anos, tornando-se a segunda mulher e a mais jovem a receber o prêmio na área — participa da obra com a intenção de desmistificar estereótipos sobre pobreza. Em seções explicativas, Duflo afirma que crianças e pais em situação de pobreza não devem ser estigmatizados e que pessoas pobres vivem relações e experiências ricas. Ela também aponta que, em sua pesquisa, medidas como concessão de empréstimos não garantem, por si só, grandes melhorias no bem-estar.
No final de Volta por cima, há uma seção de Duflo chamada “O que Esther Duflo tem a dizer sobre a pobreza”, em que aparece a frase “Nem todas as pessoas pobres sonham em ser Bill Gates” e orientações para que adultos acompanhem a leitura com crianças. A economista destaca que empreender não é sempre a melhor saída para todos e que, em muitos casos, um emprego compatível com aspirações pessoais pode ser solução mais adequada.
As ilustrações, cheias de cor, são de Cheyenne Olivier, ilustradora francesa especializada em livros infantis, que buscou referências no universo visual de gráficos econômicos para despertar a curiosidade dos leitores. As obras são indicadas para crianças a partir dos 9 anos e, segundo Duflo, têm potencial para fomentar empatia e otimismo nas próximas gerações.
Com informações de G1




