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sábado, outubro 24, 2026

Lula e Flávio concordam com abertura simultânea de sigilos; Mendonça vai analisar o pedido

O que ocorreu

Nesta quinta-feira (22), as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) formalizaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um termo de consentimento para a abertura simultânea dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de ambos. O documento foi apresentado à imprensa pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula. A peça estabelece que as informações deverão ser tornadas públicas de forma recíproca e que as equipes têm até as 23h59 do mesmo dia para entregar os documentos exigidos.

Alcance do acordo

O termo contempla não apenas os dois candidatos, mas também familiares e pessoas jurídicas ligadas a eles. Entre os itens citados na negociação estão a inclusão de empresas e dados de assessores próximos, gastos com cartões corporativos da Presidência e a agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva.

Quem assinou e quem esteve no TSE

Pela campanha de Lula estiveram no TSE Camilo Santana, o presidente nacional do PT Edinho Silva, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos e a deputada Camila Jara (PT-MS). A equipe informou que o próprio presidente redigiu e assinou o acordo de forma digital.

Pela campanha de Flávio compareceram a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, coordenadora jurídica, e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Maria Cláudia assinou o termo em nome do candidato do PL. Deltan foi indicado pela campanha de Flávio para analisar as informações financeiras de Lula e de pessoas próximas ao ex-presidente. As equipes chegaram ao tribunal por volta das 11h e negociaram durante parte do dia até firmar o consenso.

Pontos de impasse

Segundo a campanha petista, o principal entrave nas negociações foi a inclusão da Alcazar Holdings, empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, que é reconhecido por Flávio como amigo. Ambos são alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro. A campanha de Lula exigiu a inclusão da empresa; após resistência inicial, a defesa de Flávio aceitou que a Alcazar fosse abrangida e afirmou que buscaria a autorização de Willer para disponibilizar os dados.

Os representantes do PT, conforme relato de Camilo Santana e Edinho Silva, sustentaram que a empresa está sob suspeita de autoridades que fiscalizam transferências financeiras e que a divulgação dos dados deveria ocorrer. Guilherme Boulos resumiu a posição petista afirmando que “quem não deve não teme”.

Versões divergentes sobre a negociação

Deltan Dallagnol, em vídeo gravado no TSE, afirmou que a campanha de Lula teria tentado excluir o Instituto Lula do acordo e classificou a manobra como uma “pegadinha”. Segundo ele, a equipe jurídica de Flávio detectou a tentativa e exigiu ajustes, que teriam sido aceitos pelos representantes do PT. Deltan também criticou o fato de Lula não ter disponibilizado imediatamente naquela manhã seus dados bancários, fiscais e do cartão corporativo. A campanha petista rebateu, com Edinho Silva afirmando que Lula não impôs restrições à divulgação das informações.

Contexto e próximos passos

O episódio começou no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio, durante debate na Band, a divulgar de forma simultânea os sigilos. Na terça (20), o presidente protocolou no TSE autorização para abrir os últimos oito anos dos seus sigilos, incluindo os de Janja, de seus cinco filhos e da empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações, condicionando a divulgação à apresentação de dados equivalentes por Flávio e seus familiares. Em resposta, na quarta (21), Flávio protocolou pedido para abrir 20 anos de sigilos com ao menos 21 exigências adicionais, entre elas dados do Instituto Lula, do ex-presidente da entidade Paulo Okamotto, informações sobre Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), cartões corporativos e reuniões com o empresário Daniel Vorcaro.

Com o termo assinado nesta quinta, a documentação segue para análise do ministro André Mendonça, relator do caso no TSE. As campanhas esperam que a decisão e a eventual liberação das informações ocorram antes do segundo turno, marcado para domingo (25).

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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