Macadâmia de São Mateus amplia valor agregado e atinge clientes no exterior
O cultivo da macadâmia começou a se firmar na região na década de 1980, quando transformações na agricultura local levaram produtores a buscar alternativas para diversificar a atividade no campo. Produtores relatam que, nesse período, houve apoio do governo estadual por meio de subsídios e distribuição de mudas, o que contribuiu para a introdução da cultura.
Na família Bonomo, a atividade foi mantida ao longo de gerações. O produtor Eliseu Bonomo afirma que a adoção da macadâmia integrou um movimento maior de renovação agrícola na região. O filho, Ítalo Bonomo, retomou os trabalhos do pai e incorporou tecnologia para reduzir a intensidade do trabalho manual, especialmente na colheita.
Há três anos, a propriedade da família investiu em equipamentos que recolhem as nozes do chão, diminuindo a necessidade de mão de obra nessa etapa e contribuindo para a redução de custos e melhoria de qualidade do serviço. A fazenda dedicada à macadâmia ocupa cerca de 100 hectares e mantém 15 funcionários fixos ao longo do ano; durante a safra esse quadro sobe para aproximadamente 30 trabalhadores.
Além da comercialização tradicional, produtores encontraram no processamento uma via para agregar valor. Numa propriedade administrada por Ana Paula, a amêndoa é transformada em doces, biscoitos e gelato — uma iniciativa que teve início quando a tia dela desenvolveu um doce de macadâmia em um curso do Empretec. Ao assumir a fazenda, Ana Paula ampliou a produção desses produtos.
Desde 1999, os produtores de São Mateus organizam-se em uma cooperativa que centraliza o beneficiamento e a comercialização da produção local. A cooperativa recebe cerca de 1.600 toneladas de macadâmia por ano. Após o beneficiamento, parte da produção é destinada ao mercado interno e outra parte é exportada para os Estados Unidos, países da Europa e da América do Sul.
O Espírito Santo figura como o segundo maior produtor de macadâmia do Brasil, atrás de São Paulo, e São Mateus concentra a maior parte da produção capixaba. Entre a continuidade do trabalho familiar, a adoção de máquinas e a diversificação por meio de produtos processados, os agricultores buscam manter a atividade que vem crescendo na região há mais de três décadas e alcançar consumidores dentro e fora do país.
Com informações de G1




