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terça-feira, outubro 20, 2026

Maine pode ser o primeiro estado dos EUA a suspender construção de novos data centers

O Maine está próximo de se tornar o primeiro estado americano a impedir temporariamente a construção de novos data centers. Projetos aprovados pela Câmara e pelo Senado estaduais aguardam agora a sanção da governadora Janet Mills, do Partido Democrata, para virar lei.

A proposta barra, até 30 de novembro de 2027, a criação de centros de dados com capacidade igual ou superior a 20 megawatts. Segundo reportagem do The Wall Street Journal citada no projeto, instalações dessa magnitude podem consumir energia equivalente ao uso de mais de 15 mil residências.

Os data centers abrigam servidores que armazenam e processam informações — incluindo unidades de nuvem (cloud) e centros para treinar modelos de inteligência artificial. No Maine, apenas nove data centers estão em operação, de acordo com o site Data Center Map, mas as autoridades locais citam o risco de aumento nas tarifas de energia como justificativa para a medida. A Administração de Informação de Energia dos EUA aponta que o estado já figura entre os com maiores tarifas do país.

Analistas ouvidos pela CNBC afirmam que concessionárias precisam ampliar infraestrutura para atender a esses empreendimentos e podem repassar custos aos consumidores, elevando a conta de luz. Há também preocupação com o consumo de água: um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside, indica que até 50 perguntas ao ChatGPT podem demandar cerca de meio litro de água, ilustrando a demanda hídrica dos centros de IA.

No debate legislativo do Maine, a deputada estadual Melanie Sachs, do Partido Democrata, declarou em março que a proibição visa garantir o manejo responsável do solo e dos recursos hídricos, e que a medida não representa rejeição à inovação ou ao desenvolvimento econômico. O deputado estadual Steven Foster, do Partido Republicano, afirmou no mesmo mês que já existem regras aplicáveis aos data centers e considerou a proibição desnecessária.

Outros estados e localidades também discutem moratórias ou restrições: propostas surgiram na Virgínia e na Geórgia — importantes bases para empresas como Meta, Google e Microsoft — além de iniciativas em Nova York, Maryland e Oklahoma. Em nível municipal, cidades de Michigan e Indiana já adotaram proibições temporárias, mas, até o momento, nenhuma restrição estadual teve alcance semelhante ao previsto no Maine.

No Brasil, projetos iniciais de data centers voltados para IA indicam consumo comparável ao de mais de 16 milhões de residências. Empreendimentos estão planejados no Rio de Janeiro, em Eldorado do Sul (RS), Maringá (PR), Uberlândia (MG) e Caucaia (CE). Em Caucaia, a ByteDance prevê um complexo com cinco data centers com capacidade inicial de 200 megawatts e entrada em operação em setembro de 2027, com investimento estimado em mais de R$ 580 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Enquanto o debate sobre custos energéticos e uso de água avança, a proposta no Maine segue para a assinatura da governadora, que definirá se o estado adota a medida pioneira.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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