Grande parte das marcas de café vendidas no país pertence a empresas internacionais, diz Abic
O Brasil é o maior produtor mundial de café, mas muitas das marcas mais consumidas nas prateleiras nacionais estão nas mãos de empresas com capital estrangeiro. Entre os exemplos citados está o Café Pilão, que pertencia à holandesa JDE Peet’s e teve o grupo adquirido em agosto de 2025 pela norte-americana Keurig Dr Pepper.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), com base em dados da Nielsen, quatro empresas concentram 55,6% do mercado brasileiro de café: 3 Corações, JDE Peet’s, Melitta e Nestlé.
3 Corações é líder do setor. A empresa é uma joint-venture entre a brasileira São Miguel Holding e a israelense Strauss, com participação de 50% para cada sócio. O grupo controla marcas como 3 Corações, Café Brasileiro, Iguaçu e Santa Clara, e opera nove fábricas no país.
JDE Peet’s, originária da Holanda (Jacobs Douwe Egberts), está presente no Brasil desde 1998. É proprietária de marcas como Café Pilão, L’OR, Café do Ponto, Café Pelé e Caboclo, e mantém quatro unidades industriais no território nacional.
Melitta, empresa alemã, desembarcou no Brasil em 1968 como fabricante de filtros. A partir de 1980 passou a comercializar café sob sua própria marca. Hoje, a Melitta possui quatro fábricas e ocupa a terceira posição no mercado.
Nestlé, multinacional suíça presente no país desde 1921, introduziu o Nescafé no Brasil na década de 1950 e lidera o segmento de cápsulas com o Nespresso. A companhia mantém uma fábrica dedicada ao processamento de café no Brasil e figura como a quarta maior empresa do setor.
Além dessas multinacionais, a Camil, companhia brasileira de alimentos, entrou no mercado de café em 2021 e detém as marcas Bom Dia, Seleto e União. A empresa opera uma fábrica em Varginha (MG).
Segundo a Abic e o diretor-executivo Celírio Inácio, a entrada de players estrangeiros foi gradual. Algumas empresas, como Nestlé e Melitta, iniciaram atividades no país com produtos distintos antes de ampliar investimentos para o café. Outras, como a JDE, cresceram no mercado brasileiro a partir da aquisição de marcas já consolidadas nas décadas de 1990 e 2000. O Strauss Group adquiriu a Café Três Corações em 2000 e, em 2005, uniu-se ao São Miguel Holding para formar o grupo 3 Corações.
A associação aponta também que a expansão de supermercados nas décadas de 1990 e 2000 ajudou a transformar um mercado até então regional em um mercado nacionalizado, o que tornou mais atrativa a presença de empresas estrangeiras.
Em relação à origem do produto, a Abic informa que, no caso do café torrado e moído vendido no Brasil, 100% é de origem nacional. Cerca de 22 milhões de sacas destinam-se ao consumo interno. As empresas adquirem grãos diretamente de produtores ou cooperativas, processam o café em suas fábricas e distribuem o produto aos pontos de venda, combinando diferentes fontes de compra para compor o perfil desejado de cada marca.
Com informações de G1




