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domingo, setembro 20, 2026

Morre Hikaru Kurosaki, ator que interpretou Jaspion, aos 64 anos

O ator Hikaru Kurosaki, conhecido por interpretar o herói da série O Fantástico Jaspion, morreu aos 64 anos. A informação foi divulgada inicialmente pelo site japonês ZakII, do grupo Sankei, e confirmada por Masaki Sekiguchi, amigo do ator na cidade de Motobu, no Japão, local para onde Kurosaki se mudou após encerrar a carreira artística. A causa do falecimento não foi informada.

Um colega de Kurosaki na Associação de Mergulho de Motobu comunicou a morte em uma rede social, apontando que o ator vivia sozinho na região há mais de trinta anos e era bem quisto entre os profissionais locais de mergulho — atividade que passou a exercer depois de deixar as telas. A perda também foi lamentada por Hiroshi Watari, que viveu o xerife espacial Boomerang ao lado de Kurosaki em Jaspion. Watari, que dividiu cenas com ele no Japan Action Club, fundado por Sonny Chiba, disse estar chocado e recordou lições aprendidas juntos no Shinjuku Koma Theater e nas gravações da série.

Trajetória

Nascido em Osaka, Hikaru Kurosaki iniciou a carreira como dublê e participou de produções como a versão japonesa de Homem Aranha (1978), além das séries Battle Fever J (1979) e Denshi Sentai Denjiman (1980). Seu primeiro papel de maior destaque veio em Hattori Hanzô Kage no Gundan (1980), em que viveu personagens variados ao longo da trama. Participações em episódios de Choudenshi Bioman (1984) atraíram a atenção da Toei Company, que o convidou para protagonizar O Fantástico Jaspion, exibida entre 1985 e 1986.

O sucesso internacional de Jaspion impulsionou a carreira de Kurosaki e permitiu até uma incursão musical, com o álbum The Legendary Hero. Após uma breve volta às telas em Furikaereba Yatsu ga Iru (1993), ele deixou definitivamente os holofotes. Ao longo dos anos seguintes trabalhou como vendedor de motocicletas e administrador de lanchonete antes de tornar-se instrutor de mergulho e fundar a escola Mother Earth, em Okinawa. Kurosaki foi casado com a atriz Yoko Asuka, conhecida por Choudenshi Bioman; ela morreu em 2011. O casal não teve filhos.

O tokusatsu e suas origens

O termo tokusatsu descreve produções japonesas em live action destacadas pelo uso intensivo de efeitos especiais. Esteticamente, o gênero bebe em tradições como o Kabuki e o Bunraku, que influenciaram cenas de luta e efeitos visuais. Historicamente, suas raízes também estão relacionadas ao trauma da Segunda Guerra Mundial e às bombas atômicas, que deram origem a obras do subgênero Hibakusha Eiga e, posteriormente, aos filmes de monstros gigantes, conhecidos como Kaiju Eiga.

O marco que consolidou o estilo ocorreu em 1954, com Godzilla, dirigido por Ishiro Honda e com efeitos de Eiji Tsuburaya. Diante do alto custo do stop motion na época, a dupla desenvolveu o suitmation — combinação de cenários em miniatura e um ator dentro de uma fantasia de borracha — técnica que passou a ser padrão no gênero.

Com a popularidade de Godzilla, os estúdios japoneses investiram em heróis que enfrentavam grandes ameaças. Entre 1957 e 1960 surgiram Super Giant, Gekko Kamen e National Kid. A chegada da televisão em cores, nos anos 1960, ampliou o alcance do tokusatsu, levando a séries como Ultraman (1966) e, nas décadas seguintes, a franquias como Metal Hero, da qual Jaspion foi um dos destaques em 1985.

Difusão internacional e impacto no Brasil

Pesquisadores apontam fatores culturais e de mercado para a expansão do tokusatsu fora do Japão. Entre eles estão a orientação das produções para o público jovem, a repetida exibição em novas mídias e a distribuição internacional que fez personagens japoneses tornarem-se familiares para audiências ocidentais. No texto “Porquê Godzilla? Os fatores para a fama global do Tokusatsu”, Benny Chen-heng Yang, estudante de PhD e graduado em economia política pela National Cheng Kung University, ressalta esse conjunto de fatores. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 1985 citou Godzilla entre os três personagens japoneses mais reconhecidos pelo público ocidental.

Estudos acadêmicos, como a dissertação de mestrado de Nordan Manz na PUC de São Paulo, “Metáforas políticas no gênero tokusatsu”, também destacam como as histórias refletiam medos nucleares, problemas ambientais e transformações sociais do Japão pós-guerra.

No Brasil, O Fantástico Jaspion estreou em 1988 pela Rede Manchete e tornou-se um fenômeno, chegando a registrar 15 pontos de audiência e, em alguns momentos, superar programas consolidados da Rede Globo, como o Xou da Xuxa. A repercussão da série ajudou a abrir espaço para outras produções tokusatsu no país e fixou Jaspion na memória afetiva de uma geração de telespectadores.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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