O brasileiro Márcio Uebel Hübner, apontado como narcopiloto e ligado ao transporte de 656 quilos de cocaína, foi identificado durante atendimento médico de emergência e detido em um hospital da cidade de Inírida, no departamento de Guainía, Colômbia. Hübner estava foragido havia quatro anos e foi levado ao hospital por desconhecidos já em estado grave, sem condições de buscar socorro por conta própria.
Internação e diagnóstico
Os médicos que o atenderam diagnosticaram fasciíte necrosante, infecção bacteriana popularmente chamada de “bactéria come-carne”. Segundo os profissionais, a doença produz toxinas que destroem tecidos vivos rapidamente. Hübner resistiu por cinco dias após a entrada na unidade de saúde e morreu em seguida.
Ligação com transporte de cocaína e fuga
A trajetória que levou Hübner a se tornar procurado começou em 2022, quando a aeronave sob seu comando realizou um pouso forçado em Jales, no interior de São Paulo. No avião, autoridades encontraram 656 quilos de cocaína. Hübner e um comparsa conseguiram escapar antes da chegada da polícia, passando a ter mandado de prisão expedido pela Justiça Federal brasileira, mandado esse que foi renovado neste ano pela Justiça Federal de Jales.
Vida na selva e vínculo com grupo colombiano
Após a fuga, o piloto cruzou a fronteira e permaneceu escondido na selva colombiana. Conforme apuração do Núcleo Investigativo da RECORD, durante o período em que viveu na clandestinidade Hübner ganhou a confiança de Iván “Mordisco” e passou a integrar a estrutura como piloto. As operações ocorreriam no chamado “corredor da selva”, faixa de floresta sob domínio do grupo na fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela, onde existem pistas improvisadas e laboratórios de processamento de cocaína.
Iván “Mordisco” é o apelido de Néstor Gregorio Vera Fernández, apontado como líder de uma organização criminosa dissidente das extintas FARC. A figura é conhecida pela violência atribuída a suas ações, incluindo ataques com drones carregados de explosivos, segundo relato das apurações. O governo da Colômbia oferece recompensa de aproximadamente US$ 1,5 milhão, valor equivalente a cerca de R$ 7,6 milhões, por sua captura, vivo ou morto.
Durante o atendimento emergencial em Inírida, a verdadeira identidade de Hübner foi confirmada, e ele foi preso no próprio hospital dias antes de sua morte. As autoridades colombianas e brasileiras registraram o caso como parte das investigações sobre tráfico transnacional e atuação de grupos dissidentes na região de fronteira.
Não há informações adicionais no momento sobre o curso das investigações ou sobre a situação do cúmplice que escapou após o pouso forçado em 2022.
Com informações de Paranaibamais




