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terça-feira, novembro 3, 2026

Natto, a soja fermentada pegajosa do Japão, ganha popularidade fora do país graças à fama de superalimento

Natto atrai atenção internacional entre entusiastas de alimentos fermentados

Fios translúcidos e pegajosos se esticam dos hashis enquanto o turista americano Wesley Smith degusta porções de natto, prato tradicional japonês feito de soja fermentada. Consumido com frequência no café da manhã no Japão, o alimento é conhecido pelo cheiro forte, textura viscosa e sabor levemente ácido, características que provocam gostos divergentes entre quem o experimenta.

Em um restaurante de Tóquio que oferece natto à vontade, Smith relatou à AFP que achou o alimento “um pouco estranho” no início. Apesar disso, a preparação tem ganhado espaço fora do Japão nos últimos anos, integrando-se à onda internacional de alimentos fermentados, como kimchi e kombucha.

Dados recentes mostram que as exportações japonesas de natto triplicaram desde 2017, atingindo 5.248 toneladas em 2025. China e Estados Unidos aparecem como principais destinos das vendas externas.

Em Los Angeles, Kenji Suzuki, proprietário do restaurante japonês Suehiro, observa um aumento no número de clientes não japoneses dispostos a experimentar o natto. Segundo ele, quando as redes sociais passaram a destacar o alimento e seu rótulo de “superalimento”, muitas pessoas procuraram provar para conferir se o produto realmente era tão desagradável quanto algumas descrições sugerem.

Em Tóquio, Smith comparou o natto a um “queijo forte”, mas manifestou ceticismo quanto à possibilidade de sua consistência viscosa conquistar ampla aceitação nos Estados Unidos.

Além do interesse por seus supostos benefícios à saúde, o natto também é apreciado no Japão pelo baixo custo: um pacote com três porções costuma custar cerca de 100 ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 0,60 (cerca de R$ 3).

Yoshihiro Noro, ex-presidente da Federação Japonesa de Cooperativas de Natto, afirma que o produto também foi afetado pela alta de preços. Ele relaciona a escassez de nafta — um derivado do petróleo usado na fabricação das embalagens — à guerra no Oriente Médio. Aos 72 anos, Noro vê nessa conjuntura uma possibilidade de mudar a percepção do natto como “comida de pobre”.

O empresário diz ter desenvolvido uma versão chamada Kamakurayama Natto, descrita por ele como “extremamente viscosa”, porém sem “cheiro nem amargor”. “Continuem comendo… vocês vão acabar gostando!”, incentivou Noro.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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