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domingo, outubro 25, 2026

Negociações na OMC travam após Brasil vetar extensão da moratória sobre comércio eletrônico

Impasse em Camarões deixa moratória sobre transmissões eletrônicas expirada

As negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) encerraram-se em impasse na madrugada desta segunda-feira após o Brasil barrar uma proposta liderada pelos Estados Unidos para prorrogar a moratória que impede a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas. A decisão interrompeu uma tentativa de manter em vigor a regra que proíbe taxas sobre produtos digitais, como downloads e serviços de streaming.

A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que a moratória expirou e que, a partir de agora, países podem aplicar tarifas sobre essas transmissões eletrônicas. Mesmo assim, ela disse que a organização espera recuperar a moratória e que Brasil e EUA continuam em negociações na tentativa de um acordo. Segundo Okonjo-Iweala, delegados precisavam de mais tempo, que não estava disponível durante a reunião.

A rodada ministerial em Camarões, na cidade de Yaoundé, vinha com expectativas modestas, mas a incapacidade de aprovar a prorrogação foi classificada como um revés significativo para a OMC, que enfrenta desafios de relevância diante do aumento de contornos bilaterais e regionais nas disputas comerciais. Apesar do impasse sobre a moratória, as conversas prolongadas avançaram na construção de um plano para reformas mais amplas da organização, embora vários pontos ainda não tenham sido fechados.

O presidente da conferência, o ministro do Comércio de Camarões, Luc Magloire Mbarga Atangana, informou que as negociações serão retomadas em Genebra e estão previstas para acontecer em maio. O secretário de Negócios e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, classificou a falta de consenso em Yaoundé como um “grande retrocesso para o comércio global”.

Nos bastidores, diplomatas relataram que os ministros não conseguiram aprovar uma prorrogação da moratória por mais de dois anos devido às objeções do Brasil. Inicialmente, o Brasil defendia renovação por dois anos, enquanto os EUA buscavam uma extensão permanente. Durante o domingo, negociações tentaram aproximar posições com uma proposta de prorrogação de quatro anos, acrescida de um ano de transição — encerrando em 2031.

O Brasil chegou a propor uma extensão de quatro anos com cláusula de revisão no meio do período, mas essa alternativa não obteve apoio, segundo diplomatas. Países em desenvolvimento rejeitaram prazos longos alegando que a moratória retira deles possibilidade de arrecadação tributária que poderia ser reinvestida internamente.

Uma autoridade dos EUA afirmou que o Brasil bloqueou um “documento quase consensual”, ressaltando que o embate não era apenas entre EUA e Brasil, mas que o Brasil e a Turquia estavam contra os 164 demais membros. Representantes brasileiros reproduziram a crítica de que os EUA desejariam vantagens excessivas e afirmaram que o país prefere cautela, mantendo a renovação por dois anos como em conferências ministeriais anteriores, diante das rápidas mudanças no comércio digital. Diplomatas também relataram que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, deixou delegados desconfortáveis ao insinuar que poderiam haver “consequências” caso não fosse alcançada uma extensão de longo prazo.

As negociações na OMC permanecem abertas e serão retomadas em Genebra, conforme o cronograma anunciado pelas autoridades da organização.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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