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sábado, outubro 24, 2026

Noruega lucra bilhões com alta do petróleo enquanto reduz consumo interno de combustíveis fósseis

O paradoxo norueguês: energia limpa em casa e grandes exportações de petróleo e gás

A Noruega combina consumo doméstico predominantemente renovável com aumento da produção e exportação de petróleo e gás, situação que vem alimentando um debate político e social intenso em 2026. Apesar de adotar políticas ambientais há décadas, o país tem ampliado suas vendas de hidrocarbonetos, que continuam sendo a principal fonte de receita estatal.

Quem: o Estado norueguês, empresas do setor de energia e grupos ambientais. O que: aumento da produção e das exportações de petróleo e gás ao mesmo tempo em que o país mantém elevado uso de energia limpa internamente. Quando: contexto atualizado até 2026, com dados até o final de 2025 e eventos recentes relacionados à guerra no Oriente Médio.

Onde: plataformas continentais norueguesas, mercados europeus — que recebem cerca de 90% das exportações — e áreas menos exploradas, como o mar de Barents, apontadas pelo governo para futuras atividades.

Como: a Noruega mantém participação majoritária no conglomerado Equinor e destina grande parte dos lucros ao chamado “Fundo do Petróleo”. As receitas do setor respondem por mais de 60% das exportações de bens e por mais de 20% do Produto Interno Bruto. No final de 2025, o fundo tinha ativos estimados em US$ 1,9 trilhão (aproximadamente R$ 9,4 trilhões), o que equivale a cerca de US$ 350 mil (R$ 1,7 milhão) por habitante.

Por quê: choques geopolíticos recentes, como a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, elevaram os preços globais de petróleo e gás, resultando em ganhos inesperados para a Noruega. O governo recebeu US$ 5 bilhões a mais desde o início desse conflito, e a Bolsa de Oslo registrou recordes impulsionada por companhias do setor energético.

Apesar do papel central das exportações de combustíveis fósseis, a Noruega preserva uma matriz elétrica muito limpa: cerca de 98% da eletricidade provém de fontes renováveis, especialmente hidrelétricas. O país tornou-se líder mundial em veículos elétricos após incentivos iniciados em 2005 — nove em cada 10 carros novos vendidos em 2024 foram elétricos — e foi um dos primeiros a instituir um imposto sobre carbono, em 1991. Em 2017, o Parlamento aprovou a Lei do Clima, com meta de reduzir emissões em 50% até 2030.

O aumento da demanda europeia por gás norueguês teve papel crucial desde 2022, quando a invasão da Ucrânia reduziu as exportações russas. Analistas estimam que a Noruega fornece hoje cerca de 30% do gás e 15% do petróleo consumidos na Europa.

O governo do primeiro-ministro Jonas Gahr Støre tem seguido por uma via de desenvolvimento da indústria petrolífera em vez de estabelecer um cronograma de desinvestimento. Recentemente, o Executivo ofereceu 57 novas licenças de exploração e afirma a intenção de manter o fornecimento à Europa. Sindicatos do setor destacam a importância social e econômica da atividade: são citados mais de 200 mil empregos diretos vinculados à indústria.

Organizações ambientalistas e parte da juventude exigem metas e prazos para reduzir a exploração de hidrocarbonetos, enquanto representantes do setor alegam que o gás norueguês é atualmente necessário para a segurança energética do continente. A disputa entre pressões econômicas e compromissos climáticos segue no centro do debate público.

O futuro do equilíbrio entre a descarbonização doméstica e a expansão das exportações de combustíveis fósseis permanece em aberto, com autoridades e atores sociais debatendo até que ponto novas licenças e desenvolvimento offshore são compatíveis com as metas climáticas nacionais e as demandas do mercado internacional.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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