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segunda-feira, novembro 2, 2026

Novo El Niño em formação preocupa preparo do Brasil para eventos extremos

Um novo episódio de El Niño já apresenta sinais no Pacífico e pode intensificar chuvas no Sul e secas no Norte e Nordeste do Brasil, enquanto persistem dúvidas sobre sua força e sobre a capacidade do país de se adaptar a eventos climáticos extremos.

Satélites, radares e boias no oceano têm acompanhado uma massa de água mais quente avançando pelo Pacífico em direção à costa sul-americana, um padrão que indica o desenvolvimento de mais um El Niño. A detecção do fenômeno ocorre quando a temperatura da superfície do Pacífico equatorial fica cerca de 0,5 °C acima da média por um período prolongado — condição observada desde fevereiro.

Pesquisadores ainda discutem a intensidade do episódio. Para o professor Tércio Ambrizzi, da Universidade de São Paulo (USP), o rótulo de “super El Niño” não se aplica com precisão; há um consenso de que o evento tende a ser de moderado a forte. José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, afirma que, comparando com episódios passados, os primeiros sinais no Brasil devem aparecer na primavera no Sul, com aumento de chuva.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta 90% de probabilidade de ocorrência do El Niño ainda este ano e alerta que um episódio forte tende a agravar secas e chuvas intensas, além de elevar riscos de ondas de calor em terra e no oceano. Entre o fim de abril e meados de maio, as temperaturas superficiais do Pacífico usadas como referência se aproximaram do limiar típico do El Niño, sustentadas por anomalias abaixo da superfície superiores a 6 ºC.

Cada ocorrência de El Niño tem características próprias, lembram os cientistas. O evento mais recente, entre 2023 e 2024, esteve entre os cinco mais intensos já registrados e contribuiu para recordes de temperatura global. No Rio Grande do Sul, as chuvas extremas de 2024 — resultado da combinação de fatores climáticos, incluindo um El Niño intenso — causaram a pior inundação da história do estado e atingiram fortemente periferias de Porto Alegre.

O potencial impacto do novo episódio movimenta debates no Congresso sobre efeitos na população, na economia e no agronegócio. A safra de grãos projetada para a próxima temporada é de 356 milhões de toneladas, alta de 1,2% em relação à anterior. A Defesa Civil da União, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, informou que acompanha diariamente as condições climáticas em articulação com estados, municípios e instituições como Cemaden e Inmet, e que foca no monitoramento e em preparação antecipada para adotar alertas e medidas quando necessário.

Se confirmado, o El Niño pode agravar a seca no inverno e começo do verão em áreas do Norte — especialmente na Amazônia — e em parte do Nordeste, favorecendo queimadas e prejudicando safras. No Sul, a tendência é de aumento das precipitações. Especialistas em gestão de risco defendem que a preparação não pode depender apenas da confirmação de um fenômeno: é preciso planejamento contínuo para reforçar resiliência de cidades, infraestruturas e sistemas produtivos, na visão de Victor Marchezini, do Cemaden, coordenador de projeto apoiado pela Fapesp.

Na comunicação de risco, a proliferação de previsões em redes sociais tem gerado informações conflitantes, o que pode confundir a população sobre previsões e medidas a tomar. Thaynah Gutierrez, da Rede por Adaptação Antirracista, afirma que comunidades vulneráveis sentiram falta de investimentos para adaptação e cita as periferias de Porto Alegre, muito afetadas em 2024. Ela ressalta ainda a necessidade de governos identificarem e priorizarem territórios mais frágeis.

Em resposta a prognósticos, o governo de Santa Catarina decretou estado de alerta climático até novembro. Contudo, dados do Sistema Integrado de Planejamento e Gestão Fiscal (Sigef-SC) divulgados pela Assembleia Legislativa mostram execução reduzida de recursos: em 2025, apenas 15,4% do orçamento previsto para a Secretaria de Proteção e Defesa Civil foi executado, e 0,66% do montante previsto para construção, ampliação e reforma de barragens foi empenhado.

As autoridades mantêm o monitoramento, mas as incertezas sobre a intensidade do fenômeno e os limites da preparação pública permanecem como desafios centrais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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