“O Menino da Porteira”, composição de Ted Vieira e Luizinho, completa 71 anos desde sua gravação original, realizada em 1955, e permanece como referência da música caipira no Brasil. Ao longo das décadas a canção atravessou gerações, ganhou dezenas de versões e fenômenos culturais associados.
A regravação mais conhecida ocorreu em 1973, por Sérgio Reis, que decidiu registrar novamente a faixa após constatar o entusiasmo do público em eventos como bailes de debutantes, quando a música provocava cantoria coletiva entre os presentes. Segundo dados do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), a música já foi regravada 219 vezes.
Do cinema ao prêmio internacional
Entre 1975 e 1976, a obra foi adaptada para o cinema por iniciativa do cineasta Jeremias Moreira. No filme, o antagonista — denominado “Major” — funcionava como simbolismo do regime militar, e a produção, que não sofreu censura, alcançou elevados índices de público e quebrou recordes de bilheteria na época.
Uma nova versão cinematográfica foi lançada em 2009, com o cantor Daniel no papel principal. As filmagens utilizaram a fazenda do próprio artista, que cedeu o local para a produção. A trilha sonora desta adaptação foi reconhecida com o Grammy Latino de 2009 na categoria “Álbum de música de raízes brasileira – regional nativa”.
Memória e preservação cultural
Em 2001, a cidade de Ouro Fino inaugurou um monumento em homenagem ao personagem título, erguido na entrada do município. A cidade também mantém uma escola de música gratuita voltada ao ensino dos instrumentos e repertório da cultura caipira, onde a canção faz parte do currículo oferecido à comunidade.
Mesmo passadas sete décadas, “O Menino da Porteira” segue alcançando públicos que nasceram muito depois de sua primeira gravação, mantendo presença em regravações, projetos culturais e no imaginário ligado às tradições rurais brasileiras.
Com informações de G1




