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sábado, outubro 24, 2026

O que 150 meninas de 13 a 17 anos revelaram sobre crescer hoje

Quem: a jornalista da BBC Catherine Carr entrevistou cerca de 150 meninas, a maior parte entre 13 e 17 anos.

O que e onde: As entrevistas faziam parte da série About the Girls e ocorreram em escolas e clubes juvenis do Reino Unido, incluindo o clube DRMZ em Carmarthen, no País de Gales. Em muitos encontros, as conversas aconteceram informalmente, enquanto as adolescentes jogavam cartas e pediam pizza.

Quando: As entrevistas foram conduzidas em 2025/26, pouco depois da publicação dos arquivos de Epstein.

Como: Em conversas abertas, as jovens descreveram ambições profissionais, laços de amizade e responsabilidades familiares — e relataram repetidamente que percebem o próprio comportamento através do olhar masculino.

Um dos temas que emergiu com mais frequência foi a influência dos meninos no dia a dia das meninas. A maioria começou as respostas com referências ao que “os meninos pensam/dizem/querem”, indicando que as interações com rapazes moldam seu comportamento social e escolar. Muitas disseram evitar ser “barulhentas”, “intensas” ou “ocupar espaço” na presença de meninos, tentando ser “menores e mais silenciosas” em grupos mistos.

A pesquisadora Ola Demkowicz, do Institute of Education de Manchester, afirma que há uma expectativa social de que meninas se apresentem de forma mais adulta, mantendo a compostura e evitando expressividade alta — uma pressão que, segundo ela, afeta a saúde mental das jovens.

Assédio e medo também são recorrentes: a pesquisa da organização Girlguiding mostrou que 68% das meninas mudam hábitos cotidianos para evitar assédio sexual. Quase todas as entrevistadas relataram já ter recebido comentários de cunho sexual na rua. Hannah Yelin, da Oxford Brookes, descreve que as jovens compreendem de maneira sofisticada o escrutínio sexualizado a que são submetidas e os riscos à segurança decorrentes disso.

No ambiente escolar, professoras relataram aumento de comportamentos misóginos: um sindicato de professores apontou uma “crise de masculinidade” nas escolas do Reino Unido, com quase 25% das docentes dizendo ter sido alvo de abusos misóginos por alunos no último ano. As meninas relataram também insultos que remetem a papéis domésticos e observaram que parte dos comportamentos agressivos é encorajada por tendências e influências da internet.

O impacto nas frequências escolares foi mencionado: o absenteísmo grave entre meninas (faltar 50% das aulas ou mais) saltou de 6% em 2017/18 para 13% em 2024/25, com maiores índices entre alunas que têm direito à merenda gratuita. Problemas de saúde mental, especialmente ansiedade, e responsabilidades de cuidado em casa foram citados como causas de faltas.

Apesar dos desafios, as entrevistadas demonstraram ambição e consciência histórica sobre direitos das mulheres e oportunidades contemporâneas. Elas citaram carreiras como microbiologia, atuação e futebol profissional e refletiram sobre retrocessos e visões online que promovem papéis tradicionais de gênero.

As redes sociais aparecem como espaço central das amizades e das pressões sociais. As meninas temem a exclusão quando não participam das conversas digitais, relatam assédio online e reclamam da sexualização de interações. Ao mesmo tempo, reconhecem benefícios de conexões que se formam pela internet. Em discussões sobre alternativas, os clubes juvenis — como times de netball e companhias de dança — surgem como “espaços terceiros” onde podem ser barulhentas, ocupar espaço e se expressar sem julgamento.

Relatórios recentes reforçam esse quadro: estudo da organização OnSide, publicado em 2025, aponta que 76% dos jovens passam a maior parte do tempo livre em frente às telas e 48% ficam grande parte do tempo em seus quartos. Educadores e líderes escolares questionam quais espaços reais poderiam substituir ou complementar a presença online na vida das adolescentes.

As entrevistas com essas 150 meninas mostram, portanto, uma mistura de aspirações claras e barreiras cotidianas — desde pressões comportamentais e assédio até efeitos das redes sociais e do ambiente escolar — que moldam como elas vivem e planejam o futuro.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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