Os primeiros raios de sol em Piedade (SP) atraem visitantes interessados em observação de aves. Pequenos, leves e coloridos, os beija-flores chamam a atenção de fotógrafos e entusiastas do birdwatching, que chegam à região munidos de lentes e binóculos para registrar as espécies.
No sítio de Marcos Mello, a rotina se transformou nos últimos três anos. Estimulado por um amigo biólogo, o proprietário passou a organizar o ambiente para receber os pássaros e os observadores que os procuram. A área é reconhecida pela biodiversidade: somente entre os beija-flores já foram identificadas 15 espécies, entre elas Beija-flor-preto, Papo-branco, Rubi e Front-violeta.
A diversidade local não se restringe aos jardins. Próximos aos lagos, famílias de Mergulhão-pequeno convivem com outras aves que exigem mais esforço para serem vistas. Para avistar o Surucuá-dourado, por exemplo, os interessados precisam enfrentar trilhas dentro da mata, com equipamentos adequados — binóculos, botas confortáveis — e bastante paciência.
A prática tem atraído diferentes gerações. O casal Hernane e Amanda, de São Roque (SP), visita a região com os filhos para colecionar registros pelo país. Um dos jovens do grupo, Daniel Moderno Teixeira, de 13 anos, já soma capturas valiosas, como flagrantes do Macuco e do Juruva, espécies de difícil observação.
Além de equipamentos, participantes também usam recursos tecnológicos para auxiliar na atração das aves, como gravações do canto reproduzidas no celular. Entre os observadores, a criança Sophia chama atenção por conseguir imitar sons de aves com a voz, técnica que já ajudou a atrair exemplares como o Surucuá.
A reserva situada entre Piedade e Tapiraí integra um ecossistema considerado privilegiado. O estado de São Paulo concentra cerca de 40% das espécies de aves registradas no Brasil, que conta com quase 2 mil tipos catalogados.
Para o biólogo Alexandre Franchin, o trabalho dos observadores vai além do lazer: os registros de espécie, como o Corocoxó, colaboram com o monitoramento de aves raras ou ameaçadas e somam dados ao inventário da biodiversidade brasileira. Observadores e moradores destacam ainda que a atividade ensina sobre os ritmos e tempos da natureza.
Reportagem exibida no programa em 15/03/2026.
Com informações de G1




