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sexta-feira, outubro 23, 2026

ONU aprova resolução para incentivar uso de projeção que reduz distorções no mapa-múndi

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na sexta-feira (4), uma resolução que recomenda a adoção de um modelo cartográfico com menor distorção nas áreas dos continentes. A proposta foi aprovada por 164 votos e busca que governos, instituições internacionais e outros órgãos considerem projeções que representem de forma mais fiel a extensão das massas de terra.

O que foi aprovado

A resolução, conhecida na campanha como “Corrija o mapa” e apoiada pela União Africana, indica preferência por projeções que preservem melhor as proporções de área entre países e continentes. O modelo apoiado pela iniciativa é a projeção Equal Earth (chamada “Terra Igual” nos materiais da ONU), que procura oferecer uma visão mais próxima das áreas reais do planeta.

Por que a mudança

A discussão se concentra, especialmente, na projeção de Mercator, criada em 1569 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para facilitar navegação marítima. O sistema de Mercator mantém direções consistentes em relação à bússola, recurso útil para navegadores, mas provoca aumento da distorção à medida que as regiões se afastam do Equador. Dessa forma, áreas próximas aos polos aparecem ampliadas, enquanto regiões equatoriais ficam proporcionalmente menores.

O efeito dessa distorção gera percepções incorretas sobre o tamanho relativo dos territórios. Exemplos citados: a Groenlândia pode parecer próxima em tamanho à África, embora o continente africano seja cerca de 14 vezes maior; o Brasil pode parecer semelhante ao Alasca, quando na verdade o Brasil tem aproximadamente cinco vezes a área do Alasca; e a África aparece menor que a América do Norte em algumas representações, apesar de ter cerca do triplo de extensão.

Outras projeções e limitações

Além da Mercator, a projeção de Gall-Peters tem sido amplamente divulgada como alternativa por priorizar a proporcionalidade das áreas. Desenvolvida por James Gall em 1855 e difundida por Arno Peters décadas depois, a Gall-Peters reduz a superestimação de regiões do Norte e aumenta visualmente áreas como a África. Entretanto, assim como todas as projeções cartográficas, ela também implica alterações em outros aspectos, como a forma das terras.

Especialistas apontam que não existe método perfeito para transformar a superfície esférica da Terra em um plano sem algum tipo de distorção; cada projeção escolhe quais características preservar e quais deformar.

Impacto prático

A adoção recomendada pela ONU não elimina automaticamente o uso da projeção de Mercator. A resolução funciona como um estímulo para que materiais educacionais, meios de comunicação, documentos oficiais e ferramentas digitais considerem alternativas que mostrem áreas mais próximas das reais. Na prática, uma projeção como a Equal Earth fará com que continentes situados próximos ao Equador — como a África e a América do Sul — apareçam com proporções visuais mais condizentes com sua extensão real, alterando a percepção pública sobre a dimensão relativa dos territórios.

Em síntese, a mudança visa apenas ajustar a forma como as dimensões são representadas em mapas planos, sem qualquer alteração nas dimensões físicas dos continentes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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