Volker Türk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, declarou, nesta segunda-feira (14), que é necessária uma ação imediata para regulamentar a inteligência artificial, diante de riscos que, segundo ele, nunca foram vistos antes pela humanidade. Em comunicado, Türk advertiu que a rápida evolução dos sistemas de IA pode provocar mudanças irreversíveis que afetarão as gerações presentes e futuras.
O alto comissário pediu que governos e empresas se movimentem com urgência por meio de mecanismos multilaterais para enfrentar os perigos associados à tecnologia. Türk afirmou que os avanços atuais colocam em xeque todos os direitos humanos, incluindo o direito à vida, e expressou preocupação com a concentração de decisões nas mãos de poucas empresas dominantes do setor.
A preocupação com os efeitos da IA tem crescido entre autoridades e executivos de tecnologia. No último sábado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia para permitir avaliações mais detalhadas dos riscos das novas capacidades de IA. O pedido recebeu apoio público do chefe da OpenAI, Sam Altman, e do empresário Elon Musk.
Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou oposição a essa desaceleração e criticou, nesta segunda-feira, o que chamou de uma suposta “conspiração” contra o avanço da IA em publicação na plataforma Truth Social, afirmando que apenas a China estaria satisfeita com a proposta.
Türk também lembrou que a atual corrida por sistemas de IA cada vez mais poderosos representa uma mudança radical que aumenta o risco existencial em diversos aspectos da vida humana. Ele pediu aos principais desenvolvedores — que, nas suas palavras, estão concentrados principalmente na República Popular da China e nos Estados Unidos — que assumam responsabilidade imediata para mitigar esses riscos.
Além disso, autoridades chinesas expressaram preocupação com possíveis ameaças à segurança nacional decorrentes da IA, com alertas de que potências estrangeiras poderiam empregar a tecnologia para desestabilizar o país. Em 7 de setembro, Türk já havia alertado o Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a possibilidade de a inteligência artificial representar um risco existencial para a humanidade.
O chamado por regulamentação e coordenação internacional ocorre em meio ao debate global sobre como equilibrar inovação e segurança na área de inteligência artificial, sem um consenso claro entre governos, empresas e especialistas.
Com informações de G1




