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sexta-feira, outubro 30, 2026

Operação apreende esquema que vendia nafta como gasolina; adulteração pode danificar bombas, bicos e motor

Quem e o que: A segunda fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de maio, mirou um esquema criminoso no setor de combustíveis que envolvia fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro. As investigações apontaram o desvio de solventes petroquímicos importados, conhecidos como nafta, que têm tributação reduzida e eram vendidos ilegalmente como gasolina para veículos.

Quando e onde: A nova etapa da força-tarefa foi realizada na quinta-feira (28) e abrangeu ações em cinco estados.

Como funcionava a fraude: Segundo a apuração, produtores ou distribuidores desviavam nafta, produto com carga tributária inferior à gasolina, e o repassavam no mercado como combustível automotivo, omitindo tributos e promovendo lucro ilícito. A investigação também identificou a presença de metanol em combustíveis adulterados, com relatos de composições que chegavam a 90% de metanol em lotes vinculados ao PCC, segundo a operação.

Riscos e danos aos veículos: Especialistas consultados pelo G1 alertam que a nafta, por ter octanagem baixa em relação à gasolina, pode comprometer o desempenho do motor. Tenório Júnior, técnico e professor de mecânica automotiva, ressalta que a menor octanagem provoca problemas no funcionamento. Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), afirma que mesmo pequenas quantidades de nafta na gasolina podem reduzir a potência: em acelerações ou retomadas de velocidade, o motor pode sofrer danos severos.

O mecânico Bruno Bandeira, proprietário da Oficina Mecânica Na Garagem, relata que a contaminação atinge praticamente todos os componentes por onde o combustível passa — de bombas e bicos injetores até o catalisador e partes internas do motor. Em um caso de um Volkswagen Nivus 2023, o conserto após abastecimento com combustível adulterado exigiu o descarte de 40 litros, substituição de três bicos injetores corroídos, troca da bomba de combustível por perda de pressão, limpeza de filtro entupido e desobstrução do catalisador, que apresentava pó branco.

Semelhança com metanol: Técnicos observam que os efeitos do metanol sobre componentes e peças são semelhantes aos da nafta. O metanol pode corroer bicos injetores, flauta de combustível, câmara de combustão, guias de válvula e bombas de baixa e alta pressão. Com o tempo, a contaminação pode impedir a partida do veículo.

Como identificar combustível adulterado: Embora a aparência do combustível dificilmente denuncie a adulteração, profissionais apontam sinais práticos: cheiro incomum — descrito como odor podre ou de solvente —, acendimento da luz de injeção pouco depois do abastecimento, perda de potência, aumento no consumo (queda média de cerca de 30% segundo relatos), dificuldade de partida pela manhã, ruídos atípicos ao exigir o motor e odores estranhos no escapamento.

Os especialistas recomendam atenção do motorista a esses sinais, pois os danos provocados pela nafta e pelo metanol podem ser abrangentes e exigirem reparos extensos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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