Termos como parditude, marmitório e mi-mi-mi estão passando por análise para possível inclusão no Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (Volp), documento que estabelece a grafia padrão do português brasileiro e tem força de lei. A decisão cabe aos lexicógrafos da Academia Brasileira de Letras (ABL), que avaliam se essas palavras já apresentam uso estável e registro suficiente em textos escritos.
O Volp difere de dicionários como Houaiss e Aurélio ao priorizar a norma culta: em vez de definir sentidos, ele indica a forma correta de escrita, a flexão e a classe gramatical dos vocábulos. Ricardo Cavalieri, da ABL, afirmou ao g1 em 2025 que “o Volp não introduz uma palavra no léxico nem é um censor que autoriza ou não o ingresso de um termo na língua. Quem cria é o falante. O que o VOLP faz é registrar”.
Critérios para inclusão
Para que um neologismo seja incorporado ao Volp, é necessário que ele apareça com estabilidade em materiais escritos — reportagens, livros, artigos acadêmicos ou textos técnicos — e em pelo menos três gêneros textuais distintos. Também se exige homogeneidade de sentido, ou seja, que o termo mantenha significado similar em diferentes contextos. No caso de palavras originadas de outras línguas, a adaptação ortográfica é um requisito para entrar no Volp; estrangeirismos não aportuguesados costumam ficar em vocabulários específicos.
A ABL mantém o Observatório Lexical, uma espécie de “sala de espera” onde termos sugeridos são monitorados até que se decida se representam apenas modismo ou se têm uso consistente. A apuração envolve pesquisas em internet e em acervos digitalizados, e não há prazo fixo para decisões: como disse Cavalieri, “a própria palavra faz seu tempo. Cada termo tem sua história até se firmar”. Um exemplo de entrada rápida foi “Covid-19”, em razão do uso massivo durante a pandemia. Em 2025, as palavras “pejotização” e “terrir” passaram por esse processo e foram aprovadas.
O que significam alguns candidatos
Entre os termos em avaliação estão:
- cordelteca: acervo ou espaço dedicado à literatura de cordel;
- marmitório: local de refeições simples ou ponto de venda de marmitas;
- enredista: criador de enredos, por exemplo para novelas ou desfiles;
- parditude: condição ou conjunto de características ligadas a pessoas pardas;
- policrise: situação de crises múltiplas e inter-relacionadas;
- mi-mi-mi: queixa vista como excessiva ou repetitiva;
- pesquisável: passível de investigação ou pesquisa;
- ordinarista, preferencialista, reclínio e refilável também estão sob análise.
O processo de inclusão de novas palavras segue, portanto, verificação de uso e circulação em diferentes textos, sem prazo definido, e com acompanhamento técnico pela ABL e por colaboradores externos.
Com informações de G1




