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sábado, novembro 7, 2026

Paraguai inicia pagamento a correntistas do Ueno Bank após intervenção

Quem e o que: O Banco Central do Paraguai começou a efetuar, na tarde de quinta-feira (5), os primeiros pagamentos de adiantamentos garantidos a clientes do Ueno Bank, informou a instituição reguladora. A confirmação do início dos pagamentos foi feita nesta sexta-feira (6) por José Maciel, diretor da Unidade Administradora do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), à agência AFP.

Como funciona a primeira etapa: Conforme comunicado do Banco Central, a etapa inicial abrange correntistas que têm até R$ 8,9 mil depositados no Ueno Bank, que não possuam dívidas com o banco e que já possuam conta habilitada em outra instituição financeira do país. Para esse grupo, o FGD informou que será feita a devolução integral dos valores dentro do limite estabelecido.

O Banco Central publicou uma página com orientações sobre o procedimento de resgate e como os clientes podem verificar os pagamentos. O FGD é o órgão responsável por ressarcir depositantes conforme os limites legais previstos.

Exclusões e obrigações legais

O órgão regulador destacou que pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao Ueno Bank não têm direito à cobertura do fundo, conforme a Lei nº 2.334/2003. Caso recebam valores indevidos, essas partes deverão devolvê-los ao fundo em até 24 horas, sob pena de medidas judiciais.

Contexto da intervenção

O Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai e principal emissor de cartões de crédito do país, passou por intervenção após ajustes em seus balanços que reduziram seu índice de solvência para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação. O banco, que possui cerca de 3 milhões de clientes, teve o acesso dos correntistas bloqueado pelo Banco Central enquanto prosseguem as apurações.

O Ministério Público solicitou investigação criminal e decretou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco; ao todo, 27 indivíduos são alvo de investigação por suspeitas de fraude e estelionato. Reguladores já vinham fiscalizando a instituição, entre outras razões, pela suspeita de financiamento indireto da venda de uma carteira de ativos ligada ao Grupo Vázquez, operação que o banco nega ter realizado.

A crise também afetou recursos públicos administrados pelo Ueno Bank: aproximadamente US$ 850 milhões estão sob sua gestão, incluindo valores do Instituto de Previsão Social (IPS), que paga aposentadorias e pensões. O caso provocou protestos de correntistas, incluindo aposentados que utilizavam o banco para receber benefícios.

Repercussões políticas

Em meio à crise, o então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo — que havia dirigido o Ueno até agosto de 2023 — renunciou ao cargo na terça-feira (3). O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que foi sócio do grupo controlador do banco até março de 2025, também passou a sofrer pressão. Peña anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar votação que permitisse o uso do Fundo de Garantia de Depósitos para ressarcir clientes, com objetivo de garantir a devolução de recursos públicos mantidos pelo IPS e outros fundos.

Diante do agravamento político e social, Santiago Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira (5), afirmando que a decisão visava preservar a estabilidade do país.

O Banco Central e o presidente insistiram que o episódio é isolado e não representa um problema sistêmico no sistema financeiro paraguaio. A Superintendência de Bancos informou que enviará auditores para analisar os ativos do Ueno.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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