22.6 C
Uberlândia
sábado, outubro 24, 2026

Pesquisa aponta ideação suicida em 18,86% da comunidade universitária brasileira

Quase uma em cada cinco pessoas da comunidade universitária brasileira relatou ter tido pensamentos sobre morrer ou se ferir nas últimas duas semanas, segundo estudo conduzido por pesquisadores da UFF, UFRJ e Uerj.

A pesquisa, com 3.828 participantes recrutados por e-mail, WhatsApp e redes sociais, encontrou prevalência de ideação suicida de 18,86%. A amostra era majoritariamente feminina (67,63%) e composta em 66,74% por pessoas que se autodeclararam brancas, com predominância de adultos jovens entre 18 e 39 anos. As categorias sociodemográficas seguiram critérios do IBGE, incluindo a classificação “negros” para pretos e pardos.

Objetivo e publicação

O estudo, integrado ao projeto PSIcovidA, teve por objetivo investigar fatores psicossociais de vulnerabilidade e proteção associados à ideação suicida na comunidade acadêmica. Os resultados foram publicados no periódico The Lancet Regional Health – Americas.

Método

Os pesquisadores empregaram técnicas de aprendizado de máquina, utilizando o modelo Multiple Kernel Learning (MKL) para combinar diferentes tipos de variáveis num único modelo preditivo. Entre as medidas incluídas estavam sintomas de depressão, sensação de solidão, níveis de otimismo, recordações de maus-tratos emocionais na infância e informações demográficas. A ideação suicida foi avaliada por meio de uma pergunta direta sobre pensamentos de morte ou autolesão nas últimas duas semanas; qualquer resposta diferente de “nenhuma vez” foi considerada indicativa de risco. Ao término da participação, todos os voluntários receberam orientações e contatos para apoio psicológico.

Achados principais

Os sintomas depressivos surgiram como os principais preditores de ideação suicida, mas não explicaram completamente o fenômeno. Outros fatores — otimismo, solidão e histórico de maus-tratos emocionais na infância — tiveram contribuição significativa, respondendo por aproximadamente metade da explicação encontrada pelo modelo. Especificamente, experiências de abuso e negligência emocional na infância representaram cerca de 22% do peso total no modelo.

O otimismo apresentou efeito protetor: quanto maior o nível de otimismo, menor a probabilidade de ideação suicida. Já a solidão apareceu como um fator de risco moderado, com ênfase na sensação de ausência de companhia ou pertencimento, mais do que no isolamento físico em si.

Limitações e implicações

Os autores destacam limitações do estudo, entre elas o desenho transversal, que impede inferências causais, e a limitada generalização devido à amostra restrita à comunidade acadêmica e ao contexto da pandemia. Ainda assim, os resultados indicam a necessidade de protocolos de rastreamento mais amplos nas universidades, que considerem fatores emocionais, sociais e biográficos além dos sintomas depressivos.

Participaram da produção deste estudo os seguintes pesquisadores: Priscila Maria de Oliveira da Fonseca (Uerj), Débora Christina Muchaluat Saade (UFF), Isabel de Paula Antunes David (UFF), Eliane Volchan (UFRJ) e Fátima Erthal (UFRJ).

O trabalho recebeu financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Orlando Fernandes Junior recebe financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Arthur V. Machado recebe financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Letícia de Oliveira recebe financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Liana Portugal recebe financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Mirtes Garcia Pereira recebe financiamento da FAPERJ, CNPq e CAPES.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também